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Alfredo Volpi

27.3.2014 - 29.5.2014

GALERIA ALMEIDA & DALE APRESENTA VOLPI - A EMOÇÃO DA COR


Em Abril de 1944, Alfredo Volpi ( Lucca, Itália – 1896, São Paulo, SP – 1988) realizou sua primeira exposição individual na Galeria Itá, em São Paulo, com apresentação de Mário Schenberg. A mostra foi um sucesso e todas as obras vendidas, um feito excepcional na época, e por isso amplamente noticiado.


Setenta anos depois a Galeria Almeida e Dale inaugura, no dia 27 de Março, a exposição VOLPI - A Emoção da Cor, com curadoria de Denise Mattar. A mostra apresentará 80 obras, de diferentes fases, revelando o percurso de Alfredo Volpi, um mestre singular e um dos maiores artistas que o Brasil já produziu.


Na seleção, a curadora priorizou obras inéditas, sem deixar de mostrar alguns trabalhos emblemáticos do artista, e manteve o caráter didático que caracteriza suas montagens. Assim será possível ouvir depoimentos do próprio Volpi e ver imagens de sua longa vida. A mostra apresenta pinturas da década de 1920, quando o artista era considerado um impressionista, revê trabalhos dos anos 1930, período do Grupo Santa Helena, e enfatiza a produção dos anos 1940, fase de transição, na qual se delineia um novo caminho. O Volpi já pleno da década de 1950, época das “bandeirinhas”, evolui para o domínio total da cor e da forma na década de 1960, atingindo em 1970 o ápice nos processos de ritmo e permutação das cores.


Volpi começou como pintor de paredes e viveu praticamente toda a vida numa modesta casa do Cambuci, casado com Judite, a sua “deusa de ébano”, ao lado de muitos filhos adotivos. Vem daí o mito de sua suposta ingenuidade. Ele de fato era tímido e não gostava de eventos sociais, mas acompanhava tudo à sua volta com olhos muito abertos e gulosos. Saboreava Giotto, Margueritone, Picasso, Cézanne e Dufy - mas seu preferido sempre foi Matisse. Conhecia tudo sobre técnica e usava a têmpera por opção. Fazer chassis, esticar telas e preparar as tintas era para ele parte do processo da pintura. Considerava pintar um trabalho árduo e trabalhava todos os dias. Sua sensibilidade artística era muito apurada e sua obra tem, em todas as fases, características originais e incomuns.


“Existe um equívoco em achar que a obra de Volpi só começa a ter importância nos anos 1950, quando é descoberto pelos concretistas”, diz a curadora Denise Mattar. “Muito antes disso seu trabalho já chamava a atenção. Em matéria de 1935, intitulada Volpi - O Wagner da pintura, escrevia o crítico Virgílio Maurício: ‘Sua pintura é ricamente construída, estranhamente disciplinada, sem nenhuma concessão ao brilho, ao malabarismo, ao virtuosismo e nem mesmo à fantasia. Arte pura, sem artifício(...) Planimetria perfeita, colorido justo, vibratibilidade, são os atributos que vivem na sua tela e que se prolongam em todos os outros trabalhos..’ Essa crítica, escrita sobre a obra figurativa de Volpi, bem poderia se referir aos trabalhos de anos muito posteriores demonstrando a coerência do artista. 


A obra de Volpi vem despertando paixões ao longo de décadas e sobre ele escreveram os mais importantes críticos e artistas brasileiros como: Paulo Mendes de Almeida, Mario Schenberg, Sérgio Milliet, Theon Spanudis, Mário Pedrosa, Willys de Castro, Murilo Mendes, Maria Eugenia Franco, Clarival do Prado Valladares, Flávio Motta, Décio Pignatari, Waldemar Cordeiro, Haroldo de Campos, Olívio Tavares de Araújo, Lorenzo Mammi, Rodrigo Naves, Paulo Pasta, Vanda Klabin, Sonia Salztein, Alberto Tassinari e Paulo Sérgio Duarte, entre outros.


A exposição tem o apoio do Instituto Alfredo Volpi de Arte Moderna, criado com o objetivo de mapear a obra do artista, hoje reunida num catalogue raisonné virtual.


MS_22.jpgMS_21.jpgAlfredo Volp_Bandeiras e Mastros cópia.jpg
Alfredo Volp_Bandeiras e Mastros cópia.jpg

Bandeirinhas estruturadas com mastros

Têmpera sobre tela

68 x 135,3 cm

Década de 70/80

Coleção Paula e Silvio Frota