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Cândido Portinari

19.6.2015 - 15.8.2015

GALERIA ALMEIDA & DALE INAUGURA MOSTRA DE CÂNDIDO PORTINARI COM OBRAS RARAMENTE REUNIDAS


Individual trará pinturas realizadas entre 1931 e 1944, período que elevou Portinari ao posto de maior artista brasileiro


A Galeria Almeida e Dale inaugura no dia 18 de Junho a exposição Portinari e a poética da modernidade brasileira. Com curadoria de Denise Mattar, a mostra traz ao público um corpo de 35 obras emblemáticas, produzidas entre 1931 e 1944, período importante que elevou Portinari ao posto de maior artista brasileiro.


O enfoque da exposição surgiu a partir da pesquisa da curadora sobre dois acontecimentos marcantes do Modernismo no Brasil: o XXXVIII Salão de Belas-Artes, em 1931, no Rio de Janeiro, e a Exposição de Arte Moderna, de 1944, em Belo Horizonte. Cândido Portinari teve papel decisivo nos dois eventos, e por conta deles acabou por se tornar o principal protagonista da expansão do Modernismo em território nacional.


Em 1931, Portinari, recém-chegado da Europa, foi convidado a participar, da Comissão Organizadora do XXXVIII Salão de Belas-Artes (o Salão Revolucionário de 1931, de Lúcio Costa). A mostra levou para o Rio de Janeiro - então capital do país e reduto acadêmico - obras dos modernistas Tarsila do Amaral, Anita Malfatti, Di Cavalcanti, entre outros.


Além de ter contribuído na organização, Portinari apresentou 17 trabalhos que chamaram a atenção do escritor e crítico Mário de Andrade, que estava decepcionado com as obras de Tarsila e Anita, e viu em Portinari as qualidades que buscava. Os dois se tornaram grandes amigos, e esse encontro contribuiria para que Portinari elegesse seu grande tema : Os Brasileiros.


Treze anos depois, em 1944, aconteceu a Exposição de Arte Moderna, a última grande mostra do Modernismo brasileiro. Organizada por Juscelino Kubitschek, na época prefeito de Belo Horizonte, reuniu artistas da Semana de 22, do Grupo Santa Helena, do Núcleo Bernardelli e os, então iniciantes, Iberê Camargo, Milton Dacosta e Carlos Scliar, entre outros. Mas a estrela foi Portinari. Seu trabalho O Olho, conhecido como O Galo, causou furor na imprensa dividindo opiniões.


A polêmica obra integra agora um conjunto de cerca de 35 - a serem expostas na galeria Almeida & Dale - pertencentes ao acervo de importantes colecionadores particulares de São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador e Fortaleza e de instituições como a Coleção Roberto Marinho. Da coleção desta última serão apresentadas a quase épica obra Flora e Fauna Brasileira (1934), Floresta (1942), um trabalho delicado e sutil; e Brodowsky (1942) que retrata crianças brincando com pipas em sua terra natal.


A mostra também inclui as obras: O Violinista (1931), considerado por Mário de Andrade a melhor obra do Salão Revolucionário de 1931; O Flautista e Domingo no Morro (1934 e 35), que marcam o momento no qual o artista começa a pintar o povo brasileiro; e Jangada e Carcaça, Bois e Espantalho e Enterro, obras de 1940 nas quais o artista aborda com colorido candente o drama da seca.


O lirismo do artista estará presente em trabalhos como Amigas (1938), Mulher e Criança (1940) e As Moças de Arcozelo (1940) - obra que ilustrou a capa do Catálogo Portinari of Brazil, realizada no MoMA, em 1940.


A mostra dá continuidade a ação institucional que a galeria vem desenvolvendo, tendo apresentado exposições de outros importantes mestres como Fernando Botero, Aldo Bonadei, Alfredo Volpi, Alberto da Veiga Guignard e Willys de Castro.


Sobre a curadora Denise Mattar - Denise Mattar é uma das mais conhecidas e premiadas curadoras do Brasil. Em instituições, trabalhou no Museu da Casa Brasileira, SP (1985-1987); Museu de Arte Moderna, SP (1987-1989); Museu de Arte Moderna, RJ (1990-1997). Como curadora independente realizou, de 1997 a 2014, mostras retrospectivas de Di Cavalcanti, Flávio de Carvalho (Premio APCA), Ismael Nery (Prêmios APCA e ABCA), José Pancetti, Anita Malfatti, Samson Flexor (Prêmio APCA), Frans Krajcberg, Mary Vieira, Maria Tomaselli, Aluísio Carvão, Abelardo Zaluar, Raymundo Colares, Hildebrando de Castro, Norberto Nicola, Aldo Bonadei, Alfredo Volpi, Alberto da Veiga Guignard.


Entre suas principais mostras temáticas, destacam-se: Traço, Humor e Cia (Museu de Arte Brasileira da FAAP, 2002), O Olhar Modernista de JK (Palácio Itamaraty/DF, MAB-FAAP/SP, MNBA/RJ, Palácio das Artes/BH, 2004-06), O Preço da Sedução (Itaú Cultural, São Paulo, 2004), O’ Brasil – Da Terra Encantada à Aldeia Global (Palácio Itamaraty, 2005), Homo Ludens – Do Faz de Conta à Vertigem (Itaú Cultural, São Paulo, 2006), Nippon (Galeria de Valores, CCBB Rio de Janeiro, 2008), Brasília – Síntese das Artes (CCBB Brasília, 2010), Tékhne e Memórias Reveladas (Museu de Arte Brasileira da FAAP, 2010) (prêmio ABCA), Pierre Cardin (CCBB Rio de Janeiro, 2011), Mário de Andrade (Centro Cultural dos Correiros, Rio de Janeiro, 2012), Projeto Sombras (MAM Rio de Janeiro, 2012), No Balanço da Rede (Caixa Cultural, Rio de Janeiro, 2014), Duplo Olhar (Paço das Artes, São Paulo, 2014).

Flautista, 1934  Óleo s/ tela 46 x 37,5 cm Brodowski, 1942 Óleo/tela 46 x 56 cmFlora e fauna brasileira, c. 1934 Óleo s/ ma
Flora e fauna brasileira, c. 1934 Óleo s/ ma

Flora e fauna brasileira, c. 1934

Óleo s/ madeira

79,5 x 156 cm