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Cecilia Brunson Projects: Claudio Tozzi

23.1.2016 - 24.3.2016

Um dos maiores nomes da arte pop no Brasil, Claudio Tozzi recebe primeira individual em Londres

Claudio Tozzi: New Figuration The Rise of Pop Art 1967-1971, parceria da galeria Almeida e Dale com a galeria britânica Cecilia Brunson Projects, traz obras do artista feitas no auge da ditadura civil-militar do Brasil


Precursora do fenômeno artístico que seria conhecido como Pop Art, Londres recebe, entre 23 de janeiro e 24 de março, a primeira individual no Reino Unido daquele que é considerado o pioneiro da vertente pop no Brasil. Claudio Tozzi: New Figuration The Rise of Pop Art 1967-1971 é uma parceria da galeria Almeida e Dale com a galeria britânica Cecilia Brunson Projects, que hospeda a exposição e reúne 18 obras do artista realizadas no período de ascensão e auge da ditadura civil-militar (1964-1985). A individual é a primeira de uma série de três exposições feitas em parceria entre as duas galerias que têm por objetivo apresentar ao público britânico a arte moderna e contemporânea do Brasil.

O artista é também um dos destaques da exposição The World goes pop, na Tate Modern, que conecta as obras dos principais artistas da Arte Pop dos anos 1960-70 na América Latina, Ásia, Europa e Oriente Médio.

Vida, obra e Arte Pop

Nascido em São Paulo (SP), Claudio Tozzi (1944) formou-se em Arquitetura pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo – FAU-USP, mas sempre trabalhou como artista gráfico, linguagem determinante de sua obra, assim como as cores fortes, a cultura popular e os meios de comunicação.

Enquanto, nos Estados Unidos e no Reino Unido, a Arte Pop tratou, basicamente, da cultura de massas e da sociedade de consumo, na obra de Tozzi, que sempre pretendeu levar sua arte às massas, o tema central é a realidade política brasileira durante o período de maior repressão da ditadura. Em sua obra, a crueza da experiência ditatorial leva o autor a utilizar a estética pop como uma metáfora dos anos de repressão, violência e arbitrariedades do Estado, inserindo sua obra não apenas no contexto global da arte, mas também nas questões políticas mundiais do pós-1945, marcada pela Guerra Fria.

Multidão (1968), presente na mostra, é uma das obras que melhor capta a essência daqueles anos, ao narrar um protesto na qual cada personagem parece compor uma única forma humana. Com esta simples imagem, de forte carga dramática, feita com tinta industrial sobre polyester, Tozzi cria uma poente metáfora do poder do indivíduo no coletivo, questão muito presente na época, tanto no Brasil, com a Passeata dos Cem Mil, contra a ditadura, como na França, com a revolução de maio de 1968.

O poder do individuo é expresso com força também no retrato de Pelé (Pele, 1969-70), no qual o amarelo e o azul da bandeira brasileira simbolizam o poder de um homem para mudar e liderar as massas.

A fascinação da Arte Pop pela figura heroica masculina é trabalhada em Tozzy por meio da pintura icônica de Che Guevara, feita imediatamente depois do assassinato de Guevara pela CIA, na série de sete quadros Guevara (1967), que serão apresentados num duplo na exposição.

Parafusos, cadeados e escadas, objetos da vida urbana e cotidiana, transformaram-se em símbolos da opressão política em sua obra. Em Parafuso (1971), as formas variadas dos parafusos representam a opressão e a sufocação, tão presentes na ditadura.

A atuação política do artista, que iniciou sua carreira no XI Salão de Arte Moderna (1963), contudo, não foi despida de criticas e controvérsias dentro do meio artístico, quando o artista, ao contrário de outros, brasileiros e estrangeiros, negou-se a boicotar a Bienal de São Paulo (1969), conforme proposto pelo curador da edição, Mário Pedrosa, em resposta à censura sofrida por artistas.

Num período também marcado por fortes críticas, combates e resistência aos Estados Unidos entre artistas e intelectuais de esquerda na América Latina, Tozzi dialogava com obras de artistas americanos como Roy Lichtenstein (1923-1997), que, influenciado pelos quadrinhos americanos de super-herois, recriou o imagético masculino, abordando, de maneira crítica a guerra, o conflito e a opressão.

Para o crítico e físico Mário Schenberg (1914-1990), a obra de Tozzi, que ele conheceu nos anos 1960, quando o artista ainda era estudante da FAU, trouxe uma nova figuração à arte brasileira, então marcado pela vanguarda concretista, iniciada em 1956, com a Exposição Nacional de Arte Concreta, em 1956, no Museu de Arte Moderna de São Paulo – MAM – SP.

Esta obra que reconfigurou o Brasil e enfrentou o período político mais tenebroso do Brasil do século 20, chega ao mundo.

Na exposição será lançado também o catálogo da obra do artista, com ensaios de Cecília Brunson, Ricardo Camargo e Isobel Whitelegg.

Galeria Almeida e Dale

Uma das principais galerias da cidade de São Paulo, há 15 anos a Galeria de Arte Almeida e Dale vem atuando no mercado secundário de arte brasileira e latino-americana. Com trabalhos selecionados de artistas modernos e contemporâneos, já colocou nas mais importantes coleções do país obras significativas de artistas como Portinari, Di Cavalcanti, Bonadei, Cicero Dias, Alfonso Botero, Beatriz Milhazes, Cildo Meireles, Adriana Varejão, entre outros.

Desde 2012, a Almeida e Dale opta por mostrar exposições solo, baseadas em uma pesquisa histórica por um curador selecionado, para que a trajetória de artistas pudesse ser mostrada em seus diversos aspectos. Ao longo desses anos, a galeria realizou individuais e retrospectivas de artistas como Alfredo Volpi, Alberto da Veiga Guignard, Willys de Castro, Cândido Portinari e Ismael Nery.

Cecilia Brunson Projects

Sediada em Londres, a galeria, criada em 2014, é sediada na casa de sua criadora, Cecilia Bunson, curadora nascida no Chile, residente em Londres há mais de 20 anos. A galeria, voltada para a arte contemporânea, prima por criar um ambiente acolhedor, que busque restabelecer uma relação entre a vida cotidiana e a criação.

A galeria tem como missão trazer ao Reino Unido obras de artistas estrangeiros, em meio de carreira, artistas renomeados pouco conhecidos do público inglês e artistas que não fazem parte do mainstream, além de trabalhar em projetos com curadores estrangeiros.

Set off-Bermondsey Street within a short walk of London Bridge and the River Thames our mission is to bring projects from outstanding, mid-career, international artists to the UK; renowned artists, deep in the pivotal ‘meat’ of their careers. Our programmes often develop projects in dialogue with international curators.

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