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Jandyra Waters

27.8.2015 - 23.9.2015

JANDYRA WATERS - RITMO DO TEMPO


Sempre

Sempre:

termo curto de sentido longo

termo de ontem e daqui por diante.

Sempre é também agora.

Sempre:

o centro estável do novelo

que se desenrola

rola, rola, eternamente.

(publicada na coletânea Ritmo do Tempo, 2001)


A Galeria Almeida e Dale apresenta, de 27 de Agosto a 23 de Setembro, a exposição Jandyra Waters – Ritmo do Tempo, uma homenagem à artista, que, aos 94 anos, com uma energia invejável, continua a escrever, a pintar e a criar obras surpreendentes. A mostra, com curadoria de Denise Mattar, reúne 45 obras da artista produzidas entre 1957 e 2015 e mescla pinturas e poemas de diferentes períodos da carreira da artista, fazendo aflorar seu percurso pictórico e poético. O título da mostra, oriundo do seu último livro de poesias, revela uma questão que permeia o trabalho de Jandyra, uma artista construtiva - mas nunca concreta.


A obra

A exposição apresenta obras históricas entre as quais trabalhos ainda figurativos, que, entretanto, já permitem observar a qualidade instigante da artista, sua passagem pelo abstracionismo informal, apresentada de forma breve, assim como sua participação na 9a Bienal de São Paulo. O maior conjunto de obras é representado pelo geometria sensível, produção pela qual é mais conhecida, caracterizada pelo uso de elementos geométricos de cores fortes e ritmo intenso. Se estivesse no Rio de Janeiro Jandyra Waters teria se filiado ao Neoconcretismo. Seu trabalho tem semelhanças estilísticas com Aluísio Carvão, tanto pelo uso da cor, no qual ambos são mestres, quanto pela natureza dinâmica da construção das obras. A experimentação também fez parte de seu percurso. A artista criou obras tridimensionais: os Templos, assim como caixas e móbiles, que se inserem na questão do abandono do plano.

Ao longo de seis décadas, Jandyra Waters construiu uma obra pictórica caracterizada pela intensa luminosidade e potente vibração cromática - na qual nada é supérfluo. Seu trabalho, apreciado por críticos como Theon Spanudis, Mário Schenberg e José Geraldo Vieira, entre outros, está representado em algumas das mais importantes coleções particulares da cidade e nos acervos de instituições como Museu de Arte Moderna de São Paulo, Museu de Arte Contemporânea da Usp, Pinacoteca do Estado de São Paulo, Museu de Arte Brasileira da Faap, entre outros.



A artista

Nascida em 1921, em Sertãozinho, no interior de São Paulo, Jandira muda-se para a Europa, em 1945, como membro da equipe brasileira destinada a colaborar junto a organizações internacionais no auxílio às vítimas da Segunda Guerra Mundial.

Em 1947, começa a estudar pintura no County Council Art School em Sussex Inglaterra, país onde reside até 1950.


De volta a São Paulo, num dos períodos de maior efervescência artística e cultural da cidade, às vésperas da celebração de seu 4º centenário, a artista estuda pintura com Yoshiya Takaoka (1909 - 1978); escultura e cerâmica com André Osze; gravura, com Darel (1924) e Marcelo Grassmann (1925), e pintura mural, com Clóvis Graciano (1907 - 1988), na Faap. Em 1952, começa a estudar história da arte na Universidade de São Paulo – USP.

Jandira realiza sua primeira exposição em 1956, no 21º Salão de Belas Artes de São Paulo, em 1956, ano da Exposição Nacional de Arte Concreta, que marca o início formal do concretismo na arte brasileira, que permearia marginalmente a obra de Jandira.

Inicialmente uma pintura de estilo clássico e figurativo, em 1966, de acordo com o crítico de arte Theon Spanudis, Jandira rompe, de maneira abrupta, com a escola e “desenvolve um abstracionismo formal, totalmente original e inédito, de signos misteriosos e enigmáticos, e formas estranhas em perpétuo movimento. Com o tempo os seus signos foram se enriquecendo e multiplicando, o seu colorido tornou-se mais solar, uma efervescência e inquietude calorosa emanavam das suas obras. Depois os signos começam a desaparecer, as formas estranhas ganham em volume e aparecem movimentos circulares e dançantes, de ímpeto dionisíaco e frenesi extático.” No ano seguinte, a artista participa da 9ª Bienal de Arte de São Paulo.

No auge de “sua fase dionisíaca e orgiástica”, na definição de Spanudis, em 1971, Jandira encerra a fase abstracionista e passa a utilizar-se do rigor geométrico, “seja para dominar o excessivo ímpeto dionisíaco, seja para iniciar uma nova fase, mais estruturada e apolínea”, que marca sua obra até os dias de hoje.


Nas palavras de Olívio Tavares de Araújo, Waters seria considerada pelos concretistas, como uma herege, tanto pelo uso da cor quanto pelo lirismo que permeia sua obra, construída, entretanto, com rigorosa geometria.


A artista, na década de 1970, inicia sua carreira literária, como poeta. Suas três coletâneas de poemas – Pedras Nuas (Editora José Olympio,1974), Desvendador (Editora DAG, 1977) e Ritmo do Tempo (Editora Scortecci, 2001) –, foram recebidas com entusiasmo pela crítica. Seus poemas, como sua pintura, são sintéticos e despojados, mas construídos em múltiplas camadas, como os hai-kai japoneses.


Informações para a imprensa:
A4 Comunicação –

+55 (11) 3897-4122

Danilo Thomaz – danilothomaz@a4com.com.br 

Neila Carvalho – neilacarvalho@a4com.com.br

Mai Carvalho – maicarvalho@a4com.com.br  

Jandyra Waters Sem título, acrilica sobre teJandyra Waters Sem título, 2007, 50x50 cm.jpJandyra Waters Sem título, 1978, Acrílica s
Jandyra Waters Sem título, 1978, Acrílica s