Cildo Meireles é um dos mais proeminentes artistas de sua geração, cujo trabalho se desdobra em instalação, escultura, desenho e intervenções políticas. Permeado por ações e proposições políticas e filosóficas, sua abordagem frente à arte conceitual é uma das influências mais marcantes no âmbito da produção artística brasileira das últimas décadas. O artista opera de modo a apontar a falibilidade de estruturas que cotidianamente regem a vida humana, sejam perceptivas, físicas, estéticas, econômicas, políticas ou sociais. Para tanto, Cildo se vale de operações como reduções monocromáticas do espaço real; condensação de significados em pequenos objetos ou proposições; multiplicação e acumulação de elementos e matéria de modo a produzir excessos, interferir e brecar sistemas de circulação de mercadorias e ideias; ou a alteração da escala e ambiência de objetos industriais.
Em 1958, após se transferir com sua família para Brasília, Cildo Meireles iniciou sua formação com o artista Felix Barrenechea Avilez. Sua primeira exposição individual aconteceu alguns anos depois, em 1967, no MAM Bahia. No mesmo ano, após voltar para o Rio de Janeiro, frequentou por um curto período o curso da Escola Nacional de Belas Artes. Em 1969, participou e foi premiado no Salão da Bússola no MAM Rio de Janeiro. No início da década de 1980, alguns elementos pictóricos são incorporados às suas instalações e esculturas. O artista se volta para a crítica dos mecanismos coloniais de conquista de terras e mentes em favor da metrópole.
Em sua obra polifônica e crítica, Cildo Meireles se tornou um dos artistas mais importantes da arte contemporânea feita no Brasil. Ele participou de inúmeras exposições coletivas que marcaram época e definiram momentos importantes para a arte contemporânea, como: Information, MoMA, Nova Iorque, Estados Unidos (1970); Magiciens de la Terre, Centre Georges Pompidou, Paris, França (1989); Latin American Artists of the Twentieth Century, MoMA, Nova Iorque, Estados Unidos (1993). Cildo Meireles foi o segundo artista brasileiro a ter uma exposição retrospectiva no museu Tate Modern, em Londres, em 2008. No ano anterior, uma exposição dedicada a Hélio Oiticica havia sido apresentada.
Entre suas mais importantes exposições individuais, estão: Cildo Meireles: desenhos, MAM Bahia, Salvador, Brasil (1967); Cildo Meireles – retrospectiva, MAM São Paulo, Brasil (2000); e Entrevendo, SESC Pompeia, São Paulo, Brasil (2019). Seus trabalhos integram as mais importantes coleções de arte do mundo, como Tate Modern Collection, Inglaterra; MoMA, Estados Unidos; MASP, Brasil; Pinacoteca de São Paulo, Brasil; MAM Rio de Janeiro, Brasil; Museu de Arte Contemporânea da USP – MAC USP, Brasil; entre outras.