A produção de Iberê Camargo percorre aspectos fundamentais da pintura moderna na segunda metade do século XX. O início da trajetória do artista vai das paisagens, retratos e naturezas mortas, que revelam sua reverência às tradições da pintura, até a repetida figuração de carreteis, objeto que ganha um significado autônomo em sua obra. No início de sua trajetória, percorre paisagens, retratos e naturezas mortas, revelando sua reverência às tradições da pintura, até chegar à repetida figuração de carreteis, objeto que adquire um significado autônomo em sua obra. A princípio como um fragmento da memória de sua infância, ao longo de cerca de vinte anos de intensa experimentação, Iberê emancipa seus carreteis da necessidade de representar o real. Através desse objeto, o pintor passa a discutir questões como forma, peso, estrutura, equilíbrio, mobilidade ou imobilidade.
É também com os carreteis que tem início seu percurso em direção à abstração e a uma linguagem expressionista singular. Nas pinturas das décadas de 1960 e 1970, Iberê investe no adensamento e na saturação da matéria, na gestualidade e na expressividade. As densas camadas de tinta que caracterizam suas telas nesses anos persistem em seu retorno à figuração, a partir dos anos 1980. Nesse período, o viés trágico de seus trabalhos ganha destaque e há um momento de grande reconhecimento público de sua poética. A produção tardia do artista lida com figuras errantes, espaços vazios e a ausência de sentido, que manifestam uma visão inquieta diante da existência e da condição humana.
Ao longo de sua carreira, Iberê Camargo participou de inúmeras exposições individuais e Bienais, tanto no Brasil como no exterior. Entre elas, destacam-se: Bienais de São Paulo (1959, 1961, 1963, 1971, 1975 e 1979); Bienal de Tóquio (1961); e Bienal de Veneza (1962). Em 1966, foi convidado a realizar um enorme painel, presente do governo brasileiro para inauguração do edifício-sede da Organização Mundial da Saúde, em Genebra, na Suíça. Em 1995 foi criada a Fundação Iberê Camargo, em Porto Alegre, instituição fundamental para a preservação da obra e do legado do artista. Seus trabalhos integram coleções institucionais relevantes como: MAM São Paulo; Pinacoteca de São Paulo; Museu de Arte Contemporânea da USP – MAC USP, São Paulo; Museu de Arte Contemporânea de Niterói – MAC Niterói; Museu de Arte do Rio Grande do Sul – MARGS, Brasil; e marcam presença nas principais coleções particulares do país.