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José Leonilson
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Leonilson: Drawn 1975–1993 — Serralves, Porto, Portugal, 2022 — foto: Filipe Braga

24a Bienal de São Paulo, curadoria de Paulo Herkenhoff, 1998. Foto: Juan Guerra

Leonilson: Drawn 1975–1993 — Malmö Kunsthall, Malmö, Suécia, 2021 — foto: Helene Toresdotter

Corpo Político — Almeida & Dale, São Paulo, Brasil, 2023 — foto: Sergio Guerini

José Leonilson

Sobre

1957, Fortaleza, CE, Brasil - 1993, São Paulo, SP, Brasil

A produção de José Leonilson abrange pintura, desenho, ilustração, bordado, objeto, gravura, instalação e escultura. Em um exercício de síntese, a cada nova fase Leonilson restringiu deliberadamente seu universo de signos. Elaborou um vocabulário próprio, em que aspectos amorosos e eróticos tiveram centralidade. Leituras recentes de sua produção têm destacado o sentido não apenas afetivo e íntimo, mas igualmente político das opções estéticas de Leonilson.  

Artista de origem cearense que construiu sua carreira em São Paulo, Leonilson é considerado um dos principais nomes da Geração 80, grupo de artistas vinculado ao retorno à pintura e aproximação de uma linguagem expressiva e pop. Marcadas por gestos vigorosos e cores intensas, as primeiras obras de Leonilson instigaram leituras sobre a conexão com a transvanguarda. Entre as influências mais significativas estão Antonio Dias, Blinky Palermo e Paul Klee. Essa produção pictórica inicial, desenvolvida entre 1983 e 1988, é caracterizada por uma busca do “prazer de pintar”, que se combina à liberdade do gesto. O suporte privilegiado é a lona, sem chassi, em trabalhos de grande formato. 

No fim da década de 1980, ele começa a trilhar um percurso que o conduz a escolhas estéticas muito distintas dessa primeira fase. Destaca-se seu trabalho com palavras e cartografias do corpo, dispondo de um universo complexo de referências e símbolos gráficos. Entre as imagens elaboradas sistematicamente incluem-se o átomo, a torre, o coração, a escada, o livro aberto, a montanha, o vulcão, a espiral, e outras que são sobrepostas pelo artista, como o fogo e água, a bússola e o relógio, a ampulheta e o símbolo matemático do infinito.

A produção madura de Leonilson reflete sobre os tênues limites entre o que pode ser dito, e o que é da ordem do incomunicável, elaborando um diário ao mesmo tempo particular e aberto. Segundo a curadora Lisette Lagnado, “Leonilson foi movido pela compulsão de registrar sua interioridade a fim de dedicá-la aos objetos de desejo”.

A partir de 1989 sua obra assume um tom ainda mais íntimo e delicado. Nesse momento, o artista investe em novos procedimentos, recorrendo às costuras e bordados. O caráter pessoal e autobiográfico se intensifica nos trabalhos criados a partir de meados de 1991, ano em que ele descobre viver com o vírus HIV. Com desdobramentos diretos em sua linguagem poética, a descoberta da doença impulsiona Leonilson a elaborar novas formas metafóricas de expressar a própria experiência. As obras desse período se revestem de silêncio, representado por espaços em branco, principalmente em seus desenhos e gravuras. O formato, geralmente diminuto, acentua o sentido íntimo e singelo que move Leonilson a expressar-se.

Frequentemente os trabalhos de Leonilson são metonímias do corpo do artista, e enfrentam os perigos da exposição ao olhar do outro. É comum também que jogue com referências que confundem o espectador sobre o teor verídico ou ficcional de seus trabalhos. Segundo o curador e amigo Adriano Pedrosa, “Cada vocábulo do vasto e rico léxico do Leo luta ferozmente contra a dicionarização”. 

Artista de alcance internacional, Leonilson foi objeto de inúmeras mostras individuais, sendo as mais recentes organizadas pelo MASP, São Paulo, Brasil (2024); Pinacoteca do Ceará, Fortaleza, Brasil (2023); Almeida & Dale, São Paulo, Brasil (2023); Museu Serralves, Porto, Portugal (2022); Malmö Konsthall, Suécia (2021); KW Institute for Contemporary Art, Berlim, Alemanha (2020); Americas Society, Nova York, EUA (2017); Pinacoteca de São Paulo, Brasil (2014). Entre as coletivas, destacam-se Como vai você, geração 80?, EAV Parque Lage, Rio de Janeiro, Brasil (1984); Histórias LGBTQIA+, MASP, São Paulo, Brasil (2024); An Act of Seeing that Unfolds: The Susanna and Ricardo Steinbruch, Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía, Madri, Espanha (2023); três edições da Bienal de São Paulo, Brasil (1985, 1998, 2010); 13a Bienal de Paris, França (1985); Bienal de Istambul, Turquia (1997, 2011); e Bienal de Veneza, Itália (2007).

Obras de José Leonilson integram o acervo de inúmeras coleções brasileiras e internacionais, entre elas: Centre Georges Pompidou, Paris, França; Tate Modern, Londres, Reino Unido; Museu Serralves, Porto, Portugal; Museo Nacional de Bellas Artes, Buenos Aires, Argentina; MoMa, Nova York, EUA; Lenbachhaus, Munique, Alemanha; MAM Rio de Janeiro, Brasil; MAM São Paulo, Brasil; Instituto Moreira Salles, Rio de Janeiro, Brasil; Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo, Brasil; Pinacoteca de São Paulo, Brasil; Museu d’Art Contemporani de Barcelona, Espanha; Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand, Brasil, entre outras.

Obras
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Sem título
1987
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O imperfeito
1993
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Os chatos unidos foram enfim vencidos
1991
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As ruas da cidade
1988
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Sem título
1986
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Fonte, o vazio
1991
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Oceano, aceita-me?
1991
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O filósofo, da série Os dedicados
1991
Exposições
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