38 Panorama da Arte Brasileira — MAM São Paulo, São Paulo, Brasil, 2025 — foto: Estúdio em Obra
38 Panorama da Arte Brasileira — MAM São Paulo, São Paulo, Brasil, 2025 — foto: Estúdio em Obra
60 Bienal de Veneza — Veneza, Itália, 2024 — foto: Matteo de Mayda
Nossa terra-floresta — MASP, São Paulo, Brasil, 2022 — foto: Isabella Matheus
Nossa terra-floresta — MASP, São Paulo, Brasil, 2022 — foto: Isabella Matheus
A obra de Joseca Yanomami tem como ponto central a tradução da cosmologia yanomami em narrativas visuais. Por meio do desenho e da pintura, o artista dá corpo às histórias dos tempos ancestrais e às múltiplas dimensões da terra-floresta yanomami, visível somente aos xamãs.
Filho de um grande xamã, Joseca criava, desde jovem, desenhos efêmeros pela floresta. É a partir da relação com não indígenas que passa a utilizar papel, lápis e caneta em sua produção, apropriando-se desses materiais e, simultaneamente, do conceito ocidental de arte. Dessa forma, o artista desenvolve sua estratégia de comunicação com as gerações mais novas de seu povo e, ao mesmo tempo, de aproximação dos napë pë (não indígenas) com o universo yanomami.
“Eu sou um Yanomami, por isso minha mente se abriu ao desenho na floresta pouco a pouco. Não foi na cidade. Ninguém me ensinou, foi a floresta que me ensinou a desenhar. Foi no meio da floresta, brincando, que minha mente se abriu realmente ao desenho. Foi assim que comecei a desenhar e é por isso que continuo até hoje”, afirma o artista. “Eu não faço meus desenhos sem motivo, me inspiro nas palavras dos xamãs. Daqueles que têm os mais belos cantos, daqueles que sabem realmente fazer ouvir as palavras dos espíritos xapiri pë. Quando fazem suas sessões xamânicas, eu escuto seus cantos, gravo na minha mente todas essas palavras e depois as transformo em desenhos. Eu desenho então tudo o que descrevem os xamãs: os espíritos, seus ornamentos, seus caminhos, os lugares por onde descem, e assim eu desenho as palavras dos espíritos que escuto em nossa casa.”
Na década de 1990, Joseca funda a primeira escola yanomami em sua comunidade, incentivando jovens e crianças a se alfabetizarem na língua yanomae. Nesse período, participa
da produção de diversas cartilhas bilíngues (yanomae/ português) para os programas de educação escolar e de saúde.
Enraizada na cosmologia de seu povo, sua obra posiciona-se em um novo lugar na história da luta yanomami pela defesa de seus direitos e território por meio da arte. Essa ação foi iniciada na década de 1970 pela fotógrafa Claudia Andujar, em parceria com um grupo de xamãs yanomami, e atualmente é apoiada pela Hutukara Associação Yanomami, fundada por Davi Kopenawa em 2004.
A convite de Bruce Albert, antropólogo e amigo de longa data do artista, Joseca participou, em 2003, de sua primeira exposição, L’Esprit de la Forêt, na Fondation Cartier, Paris, França, e começou a circular em exposições nacionais e internacionais.
Realizou as exposições individuais Urihi mãripraɨ – Sonhar a terra-floresta, Almeida & Dale, São Paulo, Brasil (2025), e Kami Yamakɨ Urihipë [Nossa Terra-Floresta], MASP, São Paulo, Brasil (2022). Participou da 16ª Bienal de Curitiba, Brasil (2026), e da 60ª Bienal de Veneza, Itália (2024). Destacam-se também as exposições coletivas Maxita Yano, Instituto Inhotim, Brumadinho, Brasil (2025); Badu Gili: Healing Spirit, Ópera de Sydney, Austrália (2024); Dancing With All: The Ecology Of Empathy, 21st Century Museum of Contemporary Art, Kanazawa, Japão (2024); o 38º Panorama da Arte Brasileira, MAM São Paulo, Brasil (2024); Siamo Foresta, Triennale Milano, Milão, Itália (2023); Histórias Indígenas, MASP, São Paulo, Brasil (2023); Les Vivants, Le Tripostal, Lille, França (2022); Moquém_Surarî: arte indígena contemporânea, MAM São Paulo, Brasil (2021); e Trees, Power Station of Art, Xangai, China (2021).
Sua obra está presente nas coleções da Fondation Cartier pour l’art contemporain, França; MAM São Paulo, Brasil; e MASP, Brasil. A representação de Joseca Mokahesi é uma parceria entre a Almeida & Dale e a Hutukara Associação Yanomami.