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Joseca Yanomami
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38 Panorama da Arte Brasileira — MAM São Paulo, São Paulo, Brasil, 2025 — foto: Estúdio em Obra

38 Panorama da Arte Brasileira — MAM São Paulo, São Paulo, Brasil, 2025 — foto: Estúdio em Obra

60 Bienal de Veneza — Veneza, Itália, 2024 — foto: Matteo de Mayda

Nossa terra-floresta — MASP, São Paulo, Brasil, 2022 — foto: Isabella Matheus

Nossa terra-floresta — MASP, São Paulo, Brasil, 2022 — foto: Isabella Matheus

Joseca Yanomami

Sobre

1971, Rio Uxi u, Terra Indígena Yanomami, Brasil
Vive e trabalha na comunidade Buriti, Terra Indígena Yanomami, Brasil

A obra de Joseca Yanomami tem como ponto central a tradução da cosmologia yanomami em narrativas visuais. Por meio do desenho e da pintura, o artista dá corpo às histórias dos tempos ancestrais e às múltiplas dimensões da terra-floresta yanomami, visível somente aos xamãs. 

Filho de um grande xamã, Joseca criava, desde jovem, desenhos efêmeros pela floresta. É a partir da relação com não-indígenas que passa a utilizar papel, lápis e caneta em sua produção, apropriando-se desses materiais e, simultaneamente, do conceito ocidental de arte. Dessa forma, o artista desenvolve sua estratégia de comunicação com as gerações mais novas de seu povo e, ao mesmo tempo, de aproximação dos napë pë (não-indígenas) com o universo yanomami. 

“Eu sou um Yanomami, por isso minha mente se abriu ao desenho na floresta pouco a pouco. Não foi na cidade. Ninguém me ensinou, foi a floresta que me ensinou a desenhar. Foi no meio da floresta, brincando, que minha mente se abriu realmente ao desenho. Foi assim que comecei a desenhar e é por isso que continuo até hoje”, afirma o artista. “Eu não faço meus desenhos sem motivo, me inspiro nas palavras dos xamãs. Daqueles que têm os mais belos cantos, daqueles que sabem realmente fazer ouvir as palavras dos espíritos xapiri pë. Quando fazem suas sessões xamânicas, eu escuto seus cantos, gravo na minha mente todas essas palavras e depois as transformo em desenhos. Eu desenho então tudo o que descrevem os xamãs: os espíritos, seus ornamentos, seus caminhos, os lugares por onde descem, e assim eu desenho as palavras dos espíritos que escuto em nossa casa.” 

Na década de 1990, Joseca funda a primeira escola yanomami em sua comunidade, incentivando jovens e crianças a se alfabetizarem na língua yanomae. Nesse período, participa da produção de diversas cartilhas bilíngues (yanomae/português) para os programas de educação escolar e de saúde. 

Enraizada na cosmologia de seu povo, sua obra posiciona-se em novo lugar na história da luta yanomami pela defesa de seus direitos e território por meio da arte. A ação foi iniciada na década de 1970 pela fotógrafa Claudia Andujar com um grupo de xamãs yanomami e, atualmente, é apoiada pela Hutukara Associação Yanomami, fundada por Davi Kopenawa em 2004. 

A convite de Bruce Albert, antropólogo e amigo de longa data do artista, Joseca participou em 2003 de sua primeira exposição, L’Esprit de la Forêt na Fondation Cartier, Paris, França, e começou a circular em exposições nacionais e internacionais. Realizou as individuais, Urihi mãripraɨ – Sonhar a terra-floresta, Almeida & Dale, São Paulo (2025) e Kami Yamakɨ Urihipë [Nossa Terra-Floresta], no MASP, São Paulo, Brasil (2022). Participou da 60ª Bienal de Veneza, Itália (2024). Destacam-se também exposições coletivas como: Maxita Yano, Instituto Inhotim, Belo Horizonte, Brasil (2025); Badu Gili: Healing Spirit, Ópera de Sydney, Austrália (2024); Dancing With All: The Ecology Of Empathy, 21st Century Museum of Contemporary Art, Kanazawa, Japão (2024);  38º Panorama da Arte Brasileira, MAM São Paulo, Brasil (2024); Siamo Foresta, Triennale Milano, Milão, Itália (2023); Histórias Indígenas, MASP, São Paulo, Brasil (2023); Les Vivants, Le Tripostal, Lille, França (2022); Moquém_Surarî: arte indígena contemporânea, MAM São Paulo, Brasil (2021); e Trees, Power Station of Art, Xangai, China (2021).   

Sua obra está presente nas coleções da Fondation Cartier pour l’art contemporain, França; MAM São Paulo, Brasil; e MASP, Brasil. A representação de Joseca Yanomami é uma parceria entre a Almeida & Dale e a Hutukara Associação Yanomami. 

Textos
Obras
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2022
Warë pora - Cachoeira da queixada. Os Yanomami, não só queixada, todos estão se transformando em animais. Alguns se transformaram em queixada, outros se transformaram em guariba, macaco, tucano, porco caititu. Todos se transformaram nessa grande cachoeira há muito tempo atrás, no tempo de nossos ancestrais. Assim aconteceu quando nossos ancestrais, todos os Yanomami, se transformaram em animais.
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2024
Antigamente nossos antepassados comiam carne crua. Apesar de comerem crua, depois, com o tempo, dois jovens viram cabeças de lagartas caxa cozidas quando a maloca estava vazia. Então jovem, velho, moça, mulher idosa, as pessoas ficaram pensando [sobre aquilo] até tarde. E assim, muitas pessoas de reuniram, juntos se pintaram com tinta de *urucum de forma que ficassem engraçadas, já que queriam fazer o jacaré rir [para conseguirem roubar o fogo que o jacaré escondia dentro de sua boca]. E assim, ao terminarem, as pessoas continuaram a dançar, mas o jacaré não riu de forma alguma. Sua esposa, a rã Hrãemeri (Otophryne robusta) não deixou que o jacaré desse risadas, (...)
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2024
Quando os xamãs inalam parara, descem as filhas de Pararayoma, o espírito do pó parara. Os xapiri se alimentam desta árvore Parara hi (Anadenanthera peregrina), e caso não tenha Parara hi, eles passam fome. Apenas os xapiri bebem este mingau de parara e Tixori, os espíritos dos beija-flores, bebem o néctar de suas flores. Quando os xapiri se alimentam da parara combatem as doenças graves, e acabam com sua potência maléfica. É através da potência da parara que os xapiri saem para se vingar dos seres maléficos në wãri. É assim que os xapiri agem, através da potência da parara, por isso existem estas filhas de Pararayoma.
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2023
Quando eu era pequeno vi uma imagem parecida com esta, vi uma vez Ãyõkõrari, o espírito do pássaro japim-xexéu. Os espíritos Ãyõkõrari desceram até mim uma vez. Este ser Ãyõkõrari é muito bom para nós Yanomami, já que consegue acabar com doenças letais. Quando eu era criança ficava alterado e conseguia enxergar os espíritos dos animais ancestrais. (Via) Tixoriwë, o espírito do beija-flor, Ãyõkõrãri, espírito do japim-xexéu, Ixorori, espírito do japim-guache, Naporeri, espírito do japu verde. Era isso o que se passava comigo quando eu era criança.
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2024
Jovem se tornando xamã na floresta. Quando um jovem tem o interior de seu corpo muito limpo e quando este jovem sai para caçar na floresta, todos os animais de caça lhe assustam, assim como as árvores, os macacos, as mulheres da floresta, os cupinzeiros, todos os animais lhe metem medo. Então ele volta muito alterado e mais tarde irá se tornar de fato um xamã. Nós, Yanomami, somos assim, e portanto não querem sentir o cheiros de perfumes fortes, eles apenas querem sentir o perfume das flores e da floresta.
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2023
Estas casas dos xapiri somente ficam juntas perto umas da outras e estão espalhadas por todos os lados. Todas estas pedras são moradas dos xapiri, nessa terra deles por todos os lugares caem espalhadas abelhas parina, elas caem em todas suas clareiras, por isso suas terras são muito perfumadas.
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2022
Në ropeyoma, o ser feminino da fertilidade, é o que garante que as plantas cresçam rápido na floresta. Aqui existem todas as árvores frutíferas: bacabeira, açaízeiro, pés de inajá, roapë (não identificado), pés de apitinga (Pseudolmedia laevigata), castanheiras, pés da fruta wapu (Clathrotropis macrocarpa), pequizeiro, pés apia hi (Micropholis melinoniana), kariata asipë (Pouteria cladantha), pés de fruta moramakɨ (Dacryodes peruviana), ingazeiros, cajueiros. Në ropeyoma, o ser feminino da fertilidade, faz crescer todas estas árvores. No dia 22.09.2022 fiz este desenho.
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2023
O xamã yanomami primeiro inala o pó da yãkõana (Vírola sp.) e quando entra em estado de fantasma, logo depois surgem todos os xapiri, já que o xamã ficou em estado de espectro. Quando descem os xapiri, ele começa a entoar seus cantos. Ele entoa seu próprio canto, não imita palavras diferentes. Assim são os xamãs.
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2019
Yoasi a
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2019
Hutusikɨ – në ropë: manivas – në ropë
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2019
Wãha apë kua – në ropë: cará tem në ropë
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2019
Pookoxi – manamakoxi: machado de pedra
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