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Miriam Inez da Silva
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Vai, Vai, Saudade, Museo Madre, Nápoles, Itália, 2024. Curadoria Cristiano Raimondi. Foto: Amadeo Benestante

Vai, Vai, Saudade, Museo Madre, Nápoles, Itália, 2024. Curadoria Cristiano Raimondi. Foto: Amadeo Benestante

Miriam Inez da Silva, 2021, Museu Nacional da República, Brasília, Brasil. Foto: Saulo Cruz

Miriam Inez da Silva | Travesía Cuatro, Guadalajara, Mexico, 2025

As Impurezas Extraordinárias de Miriam Inez da Silva | Almeida & Dale, São Paulo, Brasil, 2021 | Foto: Sergio Guerini

Museu Nacional da República | Brasilia, Brasil, 2021 | Foto: Saulo Cruz

Miriam Inez da Silva

Sobre

1937, Trindade, GO–1996, Rio de Janeiro, RJ, Brasil

Miriam Inez da Silva construiu grande parte de seu imaginário visual a partir de suas memórias de infância em Trindade, Goiás, cidade onde nasceu. Cenas de casamentos, espetáculos circenses, festas populares, brincadeiras infantis, seres alados e imagens de uma religiosidade sincrética e mística são   em suas pinturas por meio de um olhar que encontra o fantástico no cotidiano interiorano.

Sua produção em xilogravura e pintura demonstra o apreço da artista pelas técnicas artesanais de manufatura de objetos e imagens utilizadas pelos artesãos para criar os ex-votos que preenchiam a “Sala dos Milagres” da Igreja Matriz de Trindade. Miriam declarou que os trabalhos desses artistas influenciaram sua obra tanto quanto os de Ivan Serpa, um de seus professores no curso de Técnica e Crítica da Pintura no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, que frequentou nos anos 1960. Serpa — fundador do Grupo Frente e cuja experimentação o levou do concretismo ao abstracionismo — incentivou as investigações estéticas empreendidas por Miriam e a relação que estabeleceram marcou a trajetória da artista.

Miriam iniciou sua formação artística na Escola de Belas Artes da Universidade de Goiás, em Goiânia, em 1955. No início da década seguinte mudou-se para o Rio de Janeiro, onde ingressou no curso de gravura do Instituto de Belas Artes do Estado da Guanabara, em 1962. Nesse período, a artista concentrou-se na produção de xilogravuras e participou da exposição Três jovens gravadores (1962), realizada no MAM Rio de Janeiro, por meio da qual seus trabalhos conquistaram a atenção da crítica especializada e de instituições, proporcionando a inserção da artista no circuito da arte. Morando no Rio de Janeiro, Miriam conviveu com artistas de diferentes vertentes da arte brasileira. Seu vocabulário visual abriga do pop à abstração geométrica. Em 1964, Miriam começou a participar de importantes mostras nacionais, como a 1ª Exposição da Jovem Gravura Nacional, organizada por Walter Zanini no MAC USP, São Paulo, que seguiu em itinerância por diversos estados brasileiros. A artista também passou a expor suas gravuras e pinturas ao lado de artistas como Ivan Serpa, Alfredo Volpi, Sergio Camargo, Maria Leontina, Carlos Zilio, Rubens Gerchman, entre outros. Suas gravuras participaram de exposições coletivas de prestígio, como a Bienal de São Paulo (1963, 1967) e a Bienal da Bahia, Salvador, no Brasil (1966, 1968), e a Bienal de Gravura de Santiago, no Chile (1969).

No início da década de 1970, Miriam passou a privilegiar a pintura a óleo, utilizando placas de madeira como suporte. A artista desenvolveu uma estética marcante, inserindo na superfície pictórica bordas geométricas coloridas que emulam molduras, assim como formas abauladas nos vértices superiores que sugerem cortinas de um espetáculo teatral. Além de referências a cultura popular, Miriam incorporou aos seus trabalhos temas da iconografia clássica da história da arte, bem como abordou a cultura contemporânea, retratando em seus trabalhos ídolos como Rita Lee, Raul Seixas, Madonna, John Lennon; e personagens literárias como Gabriela, do romance de Jorge Amado. Miriam representava em suas pinturas a multiplicidade da cultura brasileira cuja diversidade valorizada. Em muitos aspectos, suas obras se chocam com o conservadorismo que mantinha o país sob o regime militar. Suas composições com elementos figurativos sobre fundo branco chapado aludem sobretudo às estampas e xilogravuras que ilustram a literatura de cordel. Ao conjugar registros figurativos e geométricos que sugerem um espaço performativo, Miriam conferiu um caráter retórico às suas obras. A apropriação da linguagem popular provinda da tradição do cordel sugere ainda uma construção narrativa dotada de personagens e eventos que refletem o imaginário cultural brasileiro dos anos 1960, 70 e 80.

A produção visual de Miriam foi abordada em textos críticos de Walmir Ayala, José Roberto Teixeira Leite, Theon Spanudis, Frederico Morais, entre outros. Seus trabalhos foram apresentados em exposições de grande relevância histórica, como duas edições da Exposição Jovem Gravura Nacional (1964, 1966) no MAC USP, São Paulo, Brasil, na qual foi laureada com o Prêmio Aquisição; e no Salão Nacional de Arte Moderna, do MAM Rio de Janeiro, Brasil (1968, 1970). De meados da década de 1970 em diante, o trabalho de Miriam Inez da Silva começou a conquistar atenção internacional. Suas obras foram apresentadas em galerias de Londres, Reino Unido; Cidade do México, México; Paris, França, e de Montreal, Canadá. Em 1979, Miriam realizou a doação de uma de suas pinturas à Galeria de Arte Naïf de Trebnje, Eslovênia. A obra foi doada por ocasião do 12º Encontro de Artistas Naïf da Iugoslávia. Mais recentemente integrou as coletivas Histórias brasileiras (2022), Histórias da sexualidade (2017) e Histórias da infância (2016) no MASP, São Paulo, Brasil; Bienal de Arte Naïf, Sesc Piracicaba, Brasil (1994, 2002); e Brasil + 500: Mostra do redescobrimento, São Paulo, Brasil (2000), entre muitas outras. Obras de Miriam integram os acervos do MASP, MAC USP, e Pinacoteca de São Paulo, São Paulo, Brasil.

Obras
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1988
São Jorge
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1972
Título desconhecido
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1979
Gastão e Andrea na porta
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1985
Largo da carioca. 26-9-85.
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1982
Título desconhecido
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1981
Rita Lee...
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1980
Título desconhecido
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1983
Gabriela cravo e canela e o amor
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s.d.
Título desconhecido
Exposições
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