Pintor, desenhista e gravador com mais de 40 anos de carreira, Victor Arruda faz parte de uma geração de artistas que despontou no Rio de Janeiro entre as décadas de 1970 e 1980. Com uma extensa produção, o artista condensa múltiplas influências da história da arte, de histórias em quadrinhos, do cinema, da cultura pop e de grafites encontrados em banheiros masculinos. Esse ecletismo visual marcante de seu trabalho sinaliza uma crítica feroz ao formalismo e às convenções sociais que organizam e, muitas vezes, reprimem a constituição de identidades individuais e coletivas.
Em sua pintura, lança mão de uma poética crua e contundente, elaborando uma crítica feroz contra a hipocrisia, o abuso de poder e a presença velada, na sociedade, de preconceitos em relação às questões de gênero e sexualidade. Arruda se destacou pela criação do grupo Tato e Contato, responsável pela instalação do primeiro ateliê de Arte Livre destinado a crianças, na Funabem.
O artista despertou grande interesse da crítica de arte com sua pintura figurativa, marcada por uma abordagem cômica e de tom expressionista, qualidades destacadas por importantes curadores, como o italiano Achille Bonito Oliva, que considerava Arruda um dos artistas brasileiros mais importantes da época. Oliva chamou atenção para sua contribuição singular à Transvanguarda, tendência que reuniu artistas interessados no corpo humano como elemento principal, em diálogo com neoexpressionismo alemão e com a pós-vanguarda estadunidense.
Desde o final da década de 1970, participou de diversas exposições individuais na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, Rio de Janeiro, Brasil (1986); Studio d’Arte Giuliana de Crescenzo, Roma, Itália (1988); e MAM Rio de Janeiro, Brasil (1993). Entre suas individuais mais recentes, destacam-se: Examining Myself and Others: Victor Arruda and Carroll Dunham, na Almeida & Dale (2024); a retrospectiva Temporal, Paço Imperial, Rio de Janeiro (2022); e MAM Rio de Janeiro, Brasil (1993 e 2018). Participou da Bienal Internacional de Cuenca, no Equador (1989) e da Bienal Internacional de Arte de Valparaíso, no Chile (1994); além das coletivas recentes realizadas no CCBB, Rio de Janeiro; São Paulo e Belo Horizonte, Brasil; e na Pinacoteca do Ceará, Brasil (2025). Sua obra faz parte de coleções como do MAM Rio de Janeiro, Brasil; Fundação Serralves, Portugal; Museu de Arte do Rio, Brasil; entre outras.