Essa exposição reúne um conjunto diverso de artistas que atravessa mais de um século da arte brasileira. O projeto toma como ponto de partida uma obra histórica do século XX, que atua como disparadora de relações formais, simbólicas e temáticas entre trabalhos de diferentes períodos e contextos. A proposta se constrói a partir da livre associação, privilegiando aproximações narrativas e metafóricas entre as obras, em vez de leituras lineares ou cronológicas.
A narrativa da exposição emerge da pintura Sant’Anna, de Maria Leontina, da qual emana um pathos dramático que orienta o percurso expositivo. A representação da imagem sacra reaparece em São Jorge, de Sérgio Romagnolo, cuja afinidade com a obra de Leontina não se dá apenas no plano temático, mas também formal. Em ambas, figura e fundo tendem à dissolução.
Escuridão, calor e transformação da matéria surgem como elementos que conectam essas obras às pinturas de Rodrigo Andrade, José Antônio da Silva e Mario N. Ishikawa, artistas de gerações distintas que, cada um à sua maneira, expandem as possibilidades materiais e conceituais da pintura. Essas relações reverberam ainda em trabalhos de Farnese de Andrade, Waltercio Caldas e Emmanuel Nassar, cujas obras tensionam percepção, memória, precariedade e densidade afetiva.
A exposição inclui também um núcleo dedicado à chamada Geração 80, com destaque para Leonilson, Jorge Guinle, Cristina Canale e Paulo Pasta. Embora partam de linguagens distintas, suas produções compartilham um interesse pela subjetividade, pela reinvenção da pintura e pela construção de atmosferas emotivas que atravessam toda a exposição.