Felipe Cohen apresenta um conjunto inédito de obras em O parado das coisas, sua nova exposição na Almeida & Dale 1430. A mostra, apresentada em um texto do curador Diego Matos, dá continuidade à investigação de Cohen sobre as relações entre espaço, matéria, percepção e passagem do tempo.
Ao evocar paisagens por meio de operações de simplificação, redução e síntese, Cohen cria esculturas, objetos e relevos em pedra, madeira e papel vegetal que produzem situações de suspensão ou transformação.
A exposição se organiza em três conjuntos principais. Nas obras da série Cercamentos, paisagens e elementos do ambiente natural, como cachoeiras e vales, são reduzidos a volumes brancos delimitados por estruturas de madeira, em um jogo entre planos, profundidades, luz e sombra. As esculturas Cachoeiras e Névoa nas Montanhas, realizadas sobretudo em mármore, granito e arenito, deslocam a paisagem para o espaço tridimensional, enquanto as Nuvens Baixas e os Livros propõem uma mudança no ponto de vista, fazendo do vazio, da transparência e da ausência elementos constitutivos da imagem.
“Das cenas do espaço ambiente (natural ou construído) aos elementos arquitetônicos que definem passagens e divisões do espaço; das estruturas construtivas aos objetos que cabem em nossa mão, o artista nos oferece representações de certas presenças e ações no tempo”, descreve Matos. “Por isso, cada obra é resultante de um exercício exequível, diante de possibilidades infinitas onde formulação e diluição parecem se alternar constantemente. De outra maneira perceptiva, é como se representassem a fração de um tempo em suspenso”, conlcui.
O parado das coisas permanece em cartaz até 24 de outubro.