Vivian Caccuri | Good 90, da série Sonograma, 2025, detalhe | Foto: Sergio Guerini
Lais Myrrha | Céu de Brasília, 2025, detalhe | Foto: Sergio Guerini
Foto: Filipe Berndt
Foto: Filipe Berndt
Foto: Filipe Berndt
Foto: Filipe Berndt
Na ArPa 2025, a Almeida & Dale apresenta um duo com as artistas Lais Myrrha (1974, Belo Horizonte) e Vivian Caccuri (1986, São Paulo).
A apresentação na feira compreende obras da série Céu de Brasília, de Myrrha — iniciada em 2023 e apresentada pela primeira vez na individual Fundamentos da Pedra, em São Paulo, no mesmo ano — e peças da série Sonograma, uma das mais longevas da carreira de Vivian Caccuri, na qual a representação gráfica de sons é transformada pela gestualidade da artista.
Myrrha aborda os instrumentos que mediam a ocupação do espaço e a legitimação da história oficial, evidenciando a relação entre os locais físico e simbólico e destacando o caráter arbitrário dos discursos de poder que as convenções e sistemas de representação denotam.
Enquanto Caccuri investiga culturas musicais e produções sonoras em sentido amplo, propondo experimentos com o som que ultrapassam o campo auditivo e abarcam o visual, o corpóreo e o tecnológico, criando situações que desorientam a experiência cotidiana e interrompem percepções sedimentadas na cultura e nas estruturas cognitivas.
A aproximação de trabalhos que resultam de pesquisas tão distintas acaba por revelar uma vocação partilhada por ambos para confrontar objetos que extrapolam a escala do corpo individual e têm um papel na determinação da experiência coletiva. As esculturas, objetos e instalações, presentes na produção das duas artistas, são veículos para reflexões sobre os agentes — dos mais concretos aos mais imperceptíveis — que influenciam o curso da história e os comportamentos individuais e sociais.
No conjunto, as obras partilham, ainda, de superfícies cruzadas por linhas. São malhas que remetem ao canteiro de obras, ao plano quadriculado e ao grid moderno, signos analisados, tensionados e desafiados pelas artistas.