Na ArPa 2026, a Almeida & Dale apresenta um duo dos artistas Alex Červený (1963, São Paulo) e Joseca Yanomami (1971, Rio Uxi u, Terra Indígena Yanomami).
A apresentação reúne obras inéditas dos artistas cujas práticas se encontram no olhar para a natureza e na representação dos diversos seres humanos e não humanos que habitam a floresta. De origens e com práticas distintas, o encontro entre eles já ocorreu em exposições internacionais que abordam ecologia e a posição da humanidade em relação à Terra. Caso de Nous les Arbres, organizada pela Fondation Cartier pour l’art contemporain, instituição na capital francesa que conta com obras de ambos em seu acervo. Dessas afinidades, os artistas desenvolveram uma amizade que resultou em sessões de pintura lado a lado durante visitas de Joseca a São Paulo. Esses encontros inspiram a seleção de obras na ArPa.
Dono de uma prática múltipla, Červený apresenta um conjunto de pinturas, mosaicos e desenhos. Entre trabalhos recentes e aqueles criados especialmente para a ocasião, o artista fez uma seleção de desenhos inspirados por árvores representativas na cultura brasileira, como Jabuticabeira, Cajueiro, Jequitibá, Jamelão, entre outros. Enquanto as pinturas e mosaicos formados por pastilhas de vidro policromado mostram imagens de paisagens com animais, humanos e seres híbridos em uma relação simbiótica com a natureza, inspiradas por memórias e fabulações.
Joseca Yanomami, por sua vez, exibe uma seleção de trabalhos em papel e um conjunto de novas pinturas sobre tela — este último, um suporte relativamente novo em sua produção, marcou sua individual na Almeida & Dale em 2025. Com superfícies totalmente recobertas por cores vivas e padrões vibrantes, as pinturas traduzem o mundo dos sonhos e dos espíritos yanomami para o olhar dos não-xamãs, contanto histórias de criação, de cura e de sonhos.
Ativo no circuito artístico desde o início dos anos 2000, a prática do artista tem como ponto central a cosmologia yanomami. Em suas obras, Joseca dá corpo às histórias dos tempos ancestrais e às múltiplas dimensões da terra-floresta yanomami, visível somente aos xamãs.
A aproximação entre os dois artistas ultrapassa os temas que partilham, manifestando-se na dedicação consistente às respectivas pesquisas e em modos particulares de observar e reorganizar o mundo. Červený e Joseca desenvolvem abordagens que expandem o campo da imagem e propõem outras formas de percepção da arte e de suas representações em obras que articulam memória, mito, natureza e imaginação.