José Antônio da Silva | Sem título, 1972, detalhe
Foto: Andrea Rosseti
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Na Art Basel 2025, a Almeida & Dale apresenta destaques da trajetória de um camponês que se tornou pintor. Em cinco décadas de carreira, José Antonio da Silva (1909 – 1996) construiu uma produção de pintura vasta e variada, marcada por uma atitude artística independente e informada, sobretudo, por sua vivência no campo. Silva pintou plantações de milho, algodão, café; boiadas, fazendeiros e peões conduzindo gado ou trabalhando na lavoura. Retratou também a transformação da paisagem em uma época de crescente urbanização da região onde vivia. Produziu diversas paisagens que tomam como tema central a destruição da natureza por meio das queimadas e derrubada de árvores, mudanças que sinalizavam, para uns, o progresso, e para outros, o fim de um passado idealizado.
A seleção de obras, datadas de 1950 a 1988, apresenta a variedade temática da obra de Silva, assim como sua inventividade artística e o dinamismo de sua pintura. Em meio às paisagens rurais, surgem também pinturas de vasos de flores — um tema que, ao lado das naturezas mortas, representa parte significativa de sua produção —, além de cenas que representam o trabalho e o lazer no campo. Destacam-se exemplares de sua grande capacidade compositiva, como O trabalho no Engenho, 1954, e Operação de coração, 1968, obras nas quais Silva compõe cenas carregadas de movimento e vibração. Através de toda a seleção de obras, destaca-se o teor dramático de sua pintura, que oscila entre humor e tragédia. Silva pintou festividades populares, circos, bailes, noites estreladas, mas também pintou as durezas da vida no campo, a seca, a morte e a destruição.
São obras representativas de um período em que o artista já havia alcançado o reconhecimento público, com a inclusão de sua obra em importantes exposições coletivas como a Bienal de São Paulo e a Bienal de Veneza, das quais participou em diversas edições. Celebrado hoje como um dos mais autênticos e influentes pintores brasileiros, Silva foi alvo de críticas ao longo de sua carreira, sobretudo por conta de seu descolamento do mundo da arte erudita, que lhe rendeu em diversos momentos a alcunha de pintor primitivo. Essa categoria foi recusada por ele e por muitos críticos de arte que defenderam o valor artístico de sua produção, ressaltando seu inconformismo em relação à cultura artística vigente em seu tempo.