Para o setor Galleries da Art Basel, a Almeida & Dale apresenta uma visão do imaginário brasileiro em que espiritualidade, subconsciente, memória e experiência existencial entram em diálogo com a ciência, a numerologia, a música, a cultura, a percepção e a migração.
Entre tensões místicas e construções formais, a seleção revela um universo no qual sonho, erotismo e alquimia atravessam diferentes gerações da arte brasileira, revelando correspondências sensíveis que unem matéria, tempo e imaginação.
A tradição da pintura chinesa reinterpretada por Chen-Kong Fang e carregada de espiritualidade, a intimidade vulnerável de Leonilson, os cenários surreais de Rayana Rayo, o universo alquímico e erótico de Tunga e as investigações sensoriais e políticas de Vivian Caccuri compõem um ambiente imersivo, com obras raramente vistas na Europa. Esse conjunto é atravessado por uma profunda ideia de saudade, em que fantasia, experiência e desejo coexistem.
Chen-Kong Fang (Tung Cheng, China, 1931 – São Paulo, Brasil, 2012) estabeleceu um diálogo entre a sensibilidade da pintura clássica chinesa, sobretudo sua qualidade transcendental, e tradições pictóricas ocidentais, após imigrar para o Brasil na década de 50. Em suas obras, procurava captar as características imateriais das coisas, revelando aspectos misteriosos do âmbito visível.
A seleção de trabalhos de José Leonilson (Fortaleza, 1957 – São Paulo, 1993) volta-se aos últimos anos de sua curta vida, um período de densa intensidade pessoal e artística ao enfrentar os estágios tardios da AIDS. Em pinturas, desenhos, bordados e esculturas, construiu um vocabulário de signos e símbolos carregados de intimidade, erotismo, fragilidade, desejo e mortalidade.
Rayana Rayo (1989, Recife) investiga experiências sensíveis e subjetivas por meio de cenários oníricos e uma paleta de cores sóbrias. Estruturas que aludem a paisagens, flora, fauna e outros seres materializam memórias, ao mesmo tempo que dialogam com a rica tradição artística pernambucana.
Tunga (Palmares, 1952 – Rio de Janeiro, 2016) criou um universo mitopoético singular ao longo de 40 anos de carreira. Rico em formas orgânicas e linguagem simbólica, seu trabalho cria narrativas imersivas que exploram temas como a transformação, a percepção e o subconsciente. Cada objeto é um limiar para uma lógica interna própria, que abrange o simbolismo sexual e uma noção metafísica do corpo.
Vivian Caccuri (1986, São Paulo) investiga as interseções entre som, percepção, política e tecnologia. Nos últimos anos, Caccuri incorporou dados científicos e ficção a suas investigações das mitologias que envolvem o mosquito e outros insetos, em uma reformulação das dimensões sonoras e simbólicas da impressão humana desses animais — e o papel que ocupam enquanto emissores de som e vetores de doenças.