ESTE Arte 2026 — Punta del Este, Uruguai — foto: María Inés Arrillaga
ESTE Arte 2026 — Punta del Este, Uruguai — foto: María Inés Arrillaga
ESTE Arte 2026 — Punta del Este, Uruguai — foto: María Inés Arrillaga
ESTE Arte 2026 — Punta del Este, Uruguai — foto: María Inés Arrillaga
ESTE Arte 2026 — Punta del Este, Uruguai foto: María Inés Arrillaga
Para a ESTE Arte 2026, a Almeida & Dale apresenta um projeto inédito de Vanderlei Lopes (1973, Terra Boa, PR, Brasil).
O estande reúne nove obras inéditas concebidas especialmente para a ocasião, nas quais o artista, pela primeira vez em sua prática, emprega o alumínio em suas esculturas. O material reforça a alusão a líquidos em fluxo, pela qual as obras de Lopes são internacionalmente reconhecidas. O uso do alumínio também estabelece conexões com a Pop Art e suas elaborações sobre materiais industriais e seu uso em objetos de consumo cotidiano, um novo desdobramento na carreira do artista, além de abordar questões ambientais diretamente ligadas ao local onde a feira acontece.
Com acabamentos variados, as superfícies metálicas são às vezes espelhadas — intensificando a ilusão da água — outras vezes escurecidas com pátina ou pintadas para se assemelhar a objetos comuns e detritos, como copos de isopor, papel amassado ou latas de refrigerante — estas últimas normalmente fabricadas em alumínio em escala industrial.
Os trabalhos de grande escala, Calendário, Iminência e Guarda-chuva operam sob uma lógica fotográfica — não apenas por sua verossimilhança, mas também porque parecem congelar eventos intimamente relacionados à passagem do tempo: a queda de gotas d’água ou da chuva. Essas cenas contribuem para uma atmosfera de tensão, como se a qualquer momento o tempo pudesse avançar novamente e inundar o espaço expositivo. Como sugere o título de uma das obras, um tenso estado de iminência emerge.
A apresentação inclui, ainda, trabalhos como Lost in Paradise, pintada como um jornal com a manchete “El paraíso se recrea, todos los días”, e Estuário — uma obra feita inteiramente de prata e pintada para se assemelhar a uma folha de papel com uma imagem de satélite da confluência entre o Rio Paraná e o Rio Uruguai, um estuário e ponto de origem do Río de la Plata. Essas obras, que incorporam imagem científicas ou militares, infundem o senso de estranhamento e tensão provocado pelos trabalhos na apresentação com as preocupações ambientais e sociopolíticas que moldam a história e a realidade contemporânea da América do Sul.
As obras criadas por Lopes dialogam com o Uruguai a partir de perspectivas históricas, assim como com a paisagem costeira onde a feira ocorre. Por meio de um jogo de linguagem e semiótica, suas esculturas refletem sobre a natureza do objeto de arte contemporânea, seus sistemas de circulação e questões mais amplas, como mudanças climáticas, o consumo, a política e a história latino-americanas — navegando entre luxo e descarte, raridade e banalidade, beleza e decadência.
Em suas esculturas, Vanderlei Lopes aborda a tradição artística, ideias de representação e circulação, e processos de construção cultural. Seus trabalhos desafiam os diversos espaços em que se situam por meio de um caráter indicial, quase fotográfico, à medida que são estampados a partir de objetos e situações ordinárias. Assim, a ideia de temporalidade emerge em sua obra, em constante fricção entre distâncias históricas e o imediato aqui e agora.