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SP-Arte Rotas Brasileiras 2024

Foto: Felipe Berndt

Foto: Felipe Berndt

Foto: Felipe Berndt

Foto: Felipe Berndt

28/08 – 01/09/24

Estande C01
São Paulo, Brasil
SP-Arte Rotas Brasileiras 2024
Sobre

28/08 – 01/09/24

Estande C01

São Paulo, Brasil

Para a edição de 2024 da SP-Arte Rotas Brasileiras, a Almeida & Dale apresenta um projeto inédito que reúne o paraense Emmanuel Nassar, a goiana Miriam Inez da Silva e o paraibano Antonio Dias. A seleção de obras é animada pelo desejo de disparar novas leituras sobre a produção desses três artistas de origens e práticas distintas, sublinhando aquilo que eles têm em comum: a prática da xilogravura adotada no começo de suas carreiras, como é o caso de Miriam e Dias; e o traço enigmático e crítico nas obras de Dias e Nassar, que dialoga com a ironia e a transgressão de Miriam Inez da Silva. A exposição também busca sublinhar o modo como suas produções são informadas por diversas manifestações da cultura popular: a literatura de cordel, os ex-votos e a música popular na obra de Miriam; as histórias em quadrinhos na produção de Dias realizada na década de 1960; ou a cultura visual de rua característica de mercados populares e de parques de diversão presente nas obras de Nassar.

A exposição inclui exemplares de dois períodos da produção de Antonio Dias: o primeiro realizado entre 1964 e 1968,caracterizado pela figuração informada pela estrutura narrativa das histórias em quadrinhos; e a fase seguinte, em que os elementos gráficos são reduzidos radicalmente. Sobre suas primeiras obras, Dias afirmou que pintava “de maneiraautomática, uma imagem puxando a outra. Era uma livre associação do simbólico.”

Nesse período, suas pinturas conjugam precisão gráfica e imprecisão formal em composições que sugerem temas como violência, sexualidade e morte, como indicam os títulos de forte teor narrativo. Na ocasião da segunda exposição individual de Antonio Dias, realizada no Rio de Janeiro em 1964, sua obra foi tema de um ensaio de Pierre Restany, que destacou o modo como as imagens criadas pelo artista “escapam à simbólica unitária, à conceitualização imediata e direta”. O mesmo poderia ser dito sobra a fase seguinte de sua produção, em que articula enunciados misteriosos e imagens ambíguas.

Uma atmosfera enigmática semelhante paira sobre as obras de Emmanuel Nassar, especialmente nas pinturas que conjugam mãos ou braços decepados, objetos que se articulam de maneira estranha e figuras que se posicionam contra fundos monocromáticos que remetem à escuridão da noite, ou, como no caso da obra Altar (1992), sugerem cenários de grandes palcos ou de pequenos teatros de marionete. Na obra de Nassar encontra-se também, portodos os lados, referências à história da arte brasileira, aos móbiles de Calder, ao neoplasticismo de Mondrian, ao cadavre esquis surrealista, reanimados por uma energia irônica e crítica. A seleção de obras inclui trabalhos icônicos como a pintura Mulher (1989), apresentada na 20a Bienal de São Paulo, e A Luz (1993), que integrou a individual de Nassar no Pavilhão Brasileiro da 45a Bienal de Veneza.

Enquanto as obras de Nassar transportam para a cena da arte contemporânea a cultura visual das ruas de Belém, as pinturas de Miriam Inez da Silva passeiam por referências da cultura interiorana da pequena cidade de Trindade, onde a artista nasceu, e do ambiente urbano de liberdade e extravagância que encontrou no Rio de Janeiro, onde viveu, estudou e trabalhou a partir dos anos 1960.

Suas obras apresentam um repertório de seres alados, cenas de celebração, espetáculos, partidas de futebol, além de personagens icônicos da literatura e da música brasileiras. Uma das obras que sintetizam seus interesses é O pouso do pavão misterioso… (1985), baseada em um dos mais populares e antigos romances de cordel do Brasil, que também inspirou a composição da canção Pavão Mysteriozo, na década de 1970. A influência da cultura popular na obra de Miriam manifesta-se também na presença frequente de imagens religiosas, tema ligado às suas origens em Trindade, cidade fundada em torno de relatos de milagres.

A exposição da Almeida & Dale na SP-Arte Rotas Brasileiras 2024 oferece uma oportunidade única para revisitar e recontextualizar as obras de Emmanuel Nassar, Miriam Inez da Silva e Antonio Dias. Ao explorar as conexões entre suas produções artísticas, a mostra não apenas celebra a diversidade cultural e regional que moldou esses artistas, mas também destaca como elementos da cultura popular brasileira se entrelaçam com questões contemporâneas e universais. A seleção das obras, permeada por narrativassimbólicas e críticas, convida o público a refletir sobre a riqueza e complexidade da arte brasileira, evidenciando a relevância contínua de suas práticas no cenário artístico atual.