Heitor dos Prazeres, sem título, 1965, óleo sobre tela, 50 x 61, ft: Sergio Guerini
“No Brasil, o ritmo é mais do que música; é uma forma de habitar o mundo. Ele vibra nos tambores do carnaval e no grafite urbano, ressoa na cadência dos protestos, na quietude dos rituais religiosos e na arquitetura de cidades como o Rio de Janeiro e São Paulo. O ritmo é, ao mesmo tempo, tangível e simbólico — uma linguagem de resistência, identidade e alegria.” – Tereza de Arruda
Obras de Heitor dos Prazeres e de Joseca Yanomami estão em Rhythm & Soul – Brazilian Contemporary Art, exposição que ocupa a 68projects by KORNFELD, em Berlim, Alemanha. A curadoria de Tereza de Arruda convida à compreensão do “ritmo não apenas em seu apelo estético, mas como uma força radical que forma corpos, cidades, histórias e futuros”, como destaca em seu texto.
Das cenas de Heitor que descrevem o gesto de recolher as roupas do varal ou o vai e vem da feira livre, às narrativas visuais do universo Yanomami, a constelação articulada pela curadoria de Tereza de Arruda destaca a forma que o artista carioca “traduz o ritmo urbano em cor e movimento”, enquanto Joseca “comunica a profundidade cosmológica e as experiências cotidianas de seu povo”.