Heitor dos Prazeres, Sem título, 1960
Na nova mostra da Pinacoteca de São Paulo, Heitor dos Prazeres ganha destaque em um painel de imagens dedicadas às crônicas do carnaval de rua. Ambientada no boêmio bairro da Lapa, a pintura Sem título, de 1960, retrata os diferentes tipos sociais que marcaram visual e culturalmente a história da festa. Presenças constantes na obra de Prazeres, os passistas surgem em movimentos ritmados, vestidos com fantasias de Pierrot e baianas, evocando a alegria coletiva que nasce do lúdico.
Com curadoria de Ana Maria Maia e Renato Menezes, a coletiva Trabalho de Carnaval reúne cerca de 200 obras organizadas em quatro núcleos. A mostra aborda a maior festa popular do país como uma ampla cadeia produtiva, marcada pelo trabalho de muitas mãos, desde antes de a folia ocupar as ruas e os sambódromos.
O núcleo Fantasia aborda tanto o ato de se fantasiar quanto a potência da imaginação. Trabalho discute as condições laborais que sustentam a festa, a partir da perspectiva dos próprios trabalhadores. Cidade destaca a relação entre o carnaval e o espaço urbano, evidenciada em representações de afoxés, cordões e blocos. Por fim, Poder focaliza grupos rurais e minoritários que, durante a folia, assumem papéis de liderança, como trabalhadores dos canaviais de Pernambuco que se tornam reis e rainhas do maracatu, ou grupos de mulheres negras que comandam a festa na Bahia como Deusas de Ébano, Reis Momos e Rainhas do Carnaval.