Gustavo Caboco, Makunaima conversa com o espírito do caxiri nos pés de batata roxa, 2023, ft: Cortesia Pinacoteca de São Paulo
Sob curadoria de Gustavo Caboco, Macunaíma é Duwid retoma criticamente o livro de Mário de Andrade, Macunaíma – o herói sem nenhum caráter, a partir das vozes de artistas e pensadores das etnias Wapichana, Macuxi, Tauperan, Akawaio e Patamona.
Em um conjunto que entrecruza um recorte artístico e documental do acervo da Pinacoteca a obras de artistas indígenas contemporâneos, Macunaíma é Duwid aborda da apropriação de Macunaíma pelo movimento modernista brasileiro à catequização cultural e seus ecos hoje.
“Na ficção modernista e em seus desdobramentos, Macunaíma foi submetido a sucessivos processos de descontextualizarão: foi batizado, tornou-se Exu, virou Jurupari, Watunna, Karaiwe. A totalidade dessas produções, no entanto, raramente foi vista ou acessada por pessoas indígenas – tampouco pensada para elas”, comenta Gustavo Caboco.
Duwid, referência na construção da personagem de Mário de Andrade, é celebrado em diferentes culturas dos povos do Norte do Brasil como força criadora do mundo humano e apresentado na mostra a partir de suas próprias visões.
A pesquisa que consolida a mostra é desenvolvida há dois anos por Caboco junto ao grupo de estudos Ajuri. Formado por lideranças indígenas de Roraima, o grupo também apresenta uma série de trabalhos comissionados que reverberam suas narrativas de Duwid.