Foto: Filipe Berndt
É com entusiasmo que a Almeida & Dale anuncia a representação de Rodrigo Andrade (São Paulo, 1962). Nome incontornável da arte contemporânea brasileira, Rodrigo Andrade tem desenvolvido uma obra marcada pela investigação profunda e pela livre experimentação com a pintura — em sua dimensão material, visual e histórica. O artista desenvolve uma reflexão contínua sobre seus fundamentos e possibilidades, explorando as relações entre matéria e expressão, gesto e repetição, imagem e sensação. Em sua prática, a superfície pictórica torna-se campo de permanente tensão, em que camadas espessas de tinta se adensam ou se dissolvem, configurando paisagens, espaços, objetos e grafismos em constante movimento. Suas composições, intensas e carregadas, refletem a pulsão e o caráter mutável da vida, assim como seu corpo de trabalho é um testemunho da vitalidade e da elasticidade da pintura contemporânea, incorporando múltiplas referências, técnicas, gêneros e temas.
Nos anos 1980, quando começa sua trajetória, os trabalhos de Rodrigo Andrade eram marcados pelo vigor energético, pelo gesto forte e pela densidade matérica, traços que permaneceriam centrais em toda a sua obra. Naquela década, ao lado de amigos artistas, fundou o ateliê coletivo Casa 7, consagrado na 18ª Bienal de São Paulo — na emblemática instalação que ficou conhecida como “A Grande Tela”.
Desde então, Andrade mantém uma prática de experimentação e reinvenção de seu próprio vocabulário, em um movimento pendular entre a abstração e figuração, leveza e densidade, pintura e objeto, histórico e ordinário. Fotografias pessoais, imagens do noticiário, referências da história da arte e pinturas de outros artistas são absorvidas e reformuladas em composições carregadas de densas camadas matéricas e imbuídas de uma dimensão psicológica e emocional.
A mutação é tanto o assunto quanto o método: suas pinturas resultam de um processo em que cada gesto se converte em outro, em que a mancha se torna bloco, o bloco se torna objeto e o objeto vira espaço, sublinhando o mundo como matéria em trânsito. Do mesmo modo, sua prática incorpora o ímpeto de transformação, abrindo-se sempre a novos caminhos e possibilidades existenciais.
Rodrigo Andrade participou da 18ª e 29ª Bienal de São Paulo, do 24º e 29º Panorama da Arte Brasileira do MAM São Paulo; e teve retrospectivas em instituições como a Pinacoteca do Estado de São Paulo, Fundação Iberê Camargo, Porto Alegre, e Museu Oscar Niemeyer, Curitiba. Suas obras integram coleções de instituições como o MAM São Paulo; Pinacoteca do Estado de São Paulo; MAC Niterói; MAC USP; Museu de Arte da Pampulha; e Instituto Itaú Cultural.