No Martins, que nasceu em São Paulo onde vive e trabalha, também é oriundo do universo da arte de rua, grafite e pichação. Desenvolve no seu trabalho uma poética onde a figuração tem um papel central. São numerosos os retratos de negras e negros que o artista realiza nas mais variadas escalas. Pintor, gravador e desenhista, Martins também realiza esculturas, performances, objetos e instalações onde as questões que afetam a vida das mulheres e homens oriundos da diáspora afro-atlântica estão elaboradas em tramas de alta tensão política e poética. A instalação Danger e as pinturas da série Encontros políticos, presentes no Panorama, são representativas do engajamento do artista, engajamento que nunca pretere da qualidade da realização dos trabalhos. Esse rigor é, possivelmente, o resultado da formação que ele perseguiu, já que, mesmo sem participar efetivamente do universo da academia, ele buscou, no início do seu aprendizado, o apoio de artistas como Rosana Paulino e Kika Levy. É interessante, neste sentido, considerar em perspectiva o papel importante que instituições públicas de ensino e divulgação da arte (como centros culturais e casas de cultura) tiveram na formação de artistas de origem periférica e proletária que hoje despontam como os mais promissores da cena atual.