Omẽ Mahsã não corresponde apenas a seres do ar no sentido físico. Na visão ancestral do nosso povo Yepá Mahsã, eles pertencem às dimensões do alto, aos caminhos do céu e aos espaços invisíveis que coexistem com o mundo visível.
Podemos compreender Omẽ Mahsã como “povo do ar” ou “gente do ar”, por habitarem e transitarem no ar, no céu e no vento. Seres de luz e de cor, a sua manifestação ocorre através das cores, dos brilhos e das formas que revelam diferentes qualidades e presenças espirituais. Espíritos do povo Yepá Mahsã associam-se às dimensões superiores e aos caminhos que conectam os diferentes mundos da cosmologia ancestral.
Na tradição, menciona-se o termo Wikarã (pessoa da casa) podendo significar a dimensão invisível onde habitam as aves e os seres do alto, uma Casa das Aves localizada nos céus, onde os seres vivem, transitam e flutuam entre dimensões que não são normalmente percebidas pelos olhos humanos.
Assim, é nesta formulação que imagino Omẽ Mahsã: é o povo do ar, os seres do alto e das cores, espíritos que habitam e percorrem na altura do pahtí (terra), a Casa das Aves nos céus. Nessa dimensão invisível coexistem diferentes formas de vida e consciência, que transitam entre os mundos e mantêm a conexão entre o mundo visível e as fontes espirituais da cosmologia Yepá Mahsã.
—Bu’u Kennedy, artista, Yaí e Kumu do povo Tukano / Yepá-Mahsã