Estar preso numa casca de noz e, ainda assim, imaginar-se rei dos espaços infinitos pode ser mais que um sonho de Hamlet. Será, talvez, a busca tentadora de todo artista: a de que o ilimitado caiba no mínimo. Paulo Pasta, de olho no presente, mas contido pintor de colunas imemoriais, arrisca-se a condensar o infinitamente grande no infinitamente pequeno, feito imagem concreta e concentrada da vida em resumo. A poesia que sempre acompanha seu traço sutil no enlace das cores em indizível contraste, retorna agora para nos dizer que também a pintura de bolso pode ser, como no poema, a arte de comprimir num instante propício o todo no uno.