1928, Natal, RN, Brasil — 2020, Rio de Janeiro, RJ, Brasil
Abraham Palatnik foi um pioneiro da arte cinética no Brasil, além de um importante inventor industrial. Á frente de seu tempo, um de seus Aparelhos cinecromáticos não se enquadrava em nenhuma das categorias existentes no regulamento da 1a Bienal de São Paulo (1951). Em sua obra, máquina, luz, cor e movimento articulam-se de modo a evidenciar um ponto de partida funcional e técnico, ativamente mobilizados em favor de efeitos poéticos e estéticos.
Entre suas principais exposições coletivas estão a Bienal de São Paulo, Brasil, Bienal de Veneza, Itália (1964). Realizou exposições individuais em galerias e instituições brasileiras como o MAM Rio de Janeiro, Petite Galerie e Galeria Bonino, Rio de Janeiro; Centro Cultural Banco do Brasil; Fundação Iberê Camargo, Porto Alegre; Museu Oscar Niemeyer, Curitiba; MAM São Paulo; e Itaú Cultural. Seu trabalho faz parte de coleções de instituições internacionais como MoMA, Nova York, EU; Adolpho Leirner Collection of Brazilian Art do Museum of Fine Arts Houston, EUA; William Kaiser Museum, Krefeld, Alemanha; Royal Museum of Fine Arts, Bruxelas, Bélgica; e brasileiras como MAM São Paulo, Itaú Cultural e MAC USP, São Paulo, MAM Rio de Janeiro e MAC Niterói.
1920, Paraisópolis, MG, Brasil — 2002, Belo Horizonte, MG, Brasil
A obra de Amilcar de Castro é centrada na exploração da forma e da síntese por meio de esculturas e desenhos sobre papel e tela. Teve um importante papel na renovação dos debates artísticos no Brasil a partir da década de 1950 ao incorporar problemáticas postas pelas vanguardas históricas, abdicando da representação e concebendo a escultura a partir do plano.
Foi o artista homenageado na 5ª Bienal do Mercosul, Porto Alegre (2005); e teve salas especiais em diferentes edições da Bienal de São Paulo. Das diversas retrospectivas dedicadas ao seu trabalho, destacam-se as realizadas na Pinacoteca de São Paulo, Brasil (2001) e no MAM Rio de Janeiro, Brasil (2014). Sua obra integra coleções como MoMA, Nova York, EUA; Essex Collection of Art from Latin America, Reino Unido; e Instituto Inhotim, Brumadinho, Brasil.
1935, São Paulo, SP, Brasil — 2015, São Paulo, SP, Brasil
Antonio Henrique Amaral foi pintor, gravador e desenhista. Sua obra se insere no contexto do retorno à figuração que marcou toda uma geração de artistas brasileiros nos anos 1960. Amaral retratou a cultura de massa brasileira, incorporando elementos da gravura popular e explorando diversas linguagens visuais como a Pop Art e o Hiper-realismo Ao mesmo tempo irônico e crítico, o artista adotou a imagem da banana como figura-símbolo do Brasil em uma série realizada entre 1968 e 1975.
Participou de coletivas como Bienal de São Paulo; Jovem Arte Contemporânea, MAC USP, São Paulo; Bienal Americana de Gravura, Museo de Arte Contemporáneo, Santiago, Chile; Bienal de Medellín, Colômbia; Bienal de Havana, Cuba, entre outras. Foi objeto de mostras individuais em instituições como MAM São Paulo; Haus der Kulturen der Welt, Berlim, Alemanha; MASP; Pinacoteca de São Paulo; Instituto Tomie Ohtake, São Paulo, entre outras. Suas obras integram diversas coleções institucionais como Brasileiras como MAC USP, São Paulo; MAM São Paulo; MAM Rio de Janeiro; Pinacoteca de São Paulo; MASP, São Paulo; e internacionais como Art Museum of the Americas, Washington, EUA; Metropolitan Museum of Art, Nova York, EUA; Museo de Arte Moderno de México, Cidade do México; Museo de Arte Moderno de Bogotá, Colombia; entre outras.
1940, Santo Amaro da Purificação, BA, Brasil — 2022, São Paulo, SP, Brasil
Emanoel Araujo foi escultor, desenhista, ilustrador, figurinista, gravador, cenógrafo, pintor, curador e museólogo. Sua produção artística é marcada por referências à herança africana na cultura brasileira, principalmente suas esculturas, que apresentam estruturas geométricas conjugadas com símbolos de entidades do candomblé. O artista utilizava cores vibrantes e contrastantes que acentuam a ilusão ritmo e movimento característicos de suas obras. Apesar de haver aproximações de sua obra com a arte construtiva, Araujo desenvolveu uma visualidade singular. Trabalhou com diversas técnicas de gravura, explorando texturas, corte e dobras, e foi premiado na Bienal Gráfica de Florença, Itália, em 1972. Teve ainda papel de destaque na valorização da arte afro-brasileira como diretor e curador à frente de museus importantes como Museu de Arte da Bahia (MAB), Salvador, Pinacoteca de São Paulo e Museu Afro Brasil, São Paulo.
Participou de exposições coletivas históricas, como 2º Festival Mundial de Arte e Cultura Negra e Africana (Festac ‘77), Lagos, Nigéria; Histórias Afro-atlânticas, MASP (2018); Brazil: Body & Soul, Guggenheim, Nova York, EUA (2001); e foi curador da icônica A mão afro-brasileira, realizada no MAM São Paulo (1988). Foi objeto de mostras individuais em instituições como MASP; Museu Histórico Nacional, Rio de Janeiro; Museu Oscar Niemeyer, Curitiba; Instituto Tomie Ohtake, São Paulo. Possui obras em coleções institucionais brasileiras como Palácio do Itamaraty, Brasília; MAB e MAM Bahia, Salvador; MAM Rio de Janeiro e MNBA, Rio de Janeiro; MAC USP, MASP, Pinacoteca de São Paulo e Museu Afro Brasil, em São Paulo; e internacionais como Rockefeller Foundation, Nova York, EUA; LACMA, Los Angeles, EUA; Art Institute of Chicago; Museum of Fine Arts, Boston, EUA; Tate Modern, Londres, Reino Unido; entre outras.
1976, São Paulo, SP, Brasil
Vive e trabalha em São Paulo, SP, Brasil
Em suas obras, Felipe Cohen contrapõe diferentes níveis de durabilidade, textura, peso e até valor ao empregar materiais como mármore, granito e basalto em composição com feltro, madeira, vidro e papelão. Não raro, suas criações exploram o efeito de trompe l’oeil, recurso que intensifica a importância das escolhas dos elementos que articula. Simultaneamente, esses materiais são ressignificados e enfatizados a partir de um olhar em constante movimento, em conjunção com um processo dialético que também permeia as discussões do artista acerca da história da arte e do objeto artístico.
Entre suas exposições individuais, destacam-se as realizadas na Millan, São Paulo, Brasil; na Capela do Morumbi, São Paulo, Brasil (2013), e no Centro Universitário Maria Antonia, São Paulo, Brasil (2006). Cohen participou de mostras coletivas como Balada para um espectro, Casa de Cultura do Parque, São Paulo, Brasil (2025), Earth and Sky, SMoCA, Scottsdale, EUA (2023), Passado/Futuro/Presente, MAM São Paulo (2019), Troposphere, Beijing Minsheng Art Museum, Pequim, China (2017), Imagine Brazil – Artists Books, Musée d’art contemporain de Lyon, França (2014), e Astrup Fearnley Museet, Oslo, Noruega (2013), além da 8ª Bienal do Mercosul, Porto Alegre, Brasil (2011). Foi indicado ao Prêmio PIPA, Brasil, e recebeu os prêmios Illy SustainArt, Feira ARCO, Madri, Espanha (2016), Atos Visuais – Funarte, Brasília (2007), e Fiat Mostra Brasil, São Paulo (2006). Suas obras integram importantes coleções brasileiras, entre elas Pinacoteca de São Paulo, MAM São Paulo, e Museu de Arte do Rio (MAR).
1911, Knittelfeld, Austria — 2005, Rio de Janeiro, RJ, Brasil
Frans Weissemann foi escultor, desenhista, pintor. Mudou-se para o Brasil em 1922 e ingresso na Escola Nacional de Belas Artes, Rio de Janeiro, em 1939. Suas esculturas apresentam formas estritamente geometrizadas, nas quais os espaços vazados, entre as chapas de metal dobradas sobre si mesmas, também é elemento definidor e classificados pelo artista como “vazios ativos”. O artista foi cofundador do Grupo Neoconcreto, e fez parte do Grupo Frente, importante referência do construtivismo no Brasil, participando de suas exposições. Suas primeiras obras construtivistas foram fundamentais na consolidação dessa escola no Brasil. Ao longo do tempo, manteve-se fiel ao seu processo de criação, sobretudo o trabalho direto com o material e a manufatura de modelos com cortes e dobraduras, os quais são posteriormente ampliados numa metalúrgica.
Franz Weissmann participou de mostra coletivas nacionais como Salão Nacional de Belas Artes, Rio de Janeiro; Bienal de São Paulo, Brasil; Panorama de Arte Atual Brasileira, no MAM São Paulo; Salão Paulista de Arte Moderna, São Paulo; e internacionais como Bienal de Veneza (1972), Konkrete Kunst, Helmhaus, Zurique, Suíça (1960), Bienal Internacional de Escultura ao Ar Livre, no Museu de Middelheim, Antuérpia, Bélgica (1971). Foi objeto de exposições individuais e retrospectivas em instituições como MAM São Paulo (1999); MAM Rio de Janeiro (1998) e Itaú Cultural, São Paulo (2019). Suas obras integram coleções brasileiras como MAC USP; MASP; Museu Oscar Niemeyer, Curitiba; Memorial da América Latina, São Paulo; Pinacoteca de São Paulo; e internacionais como MoMA, Nova York, e Museum of Fine Arts, Houston, nos EUA, entre outras.
1976, Lima, Peru
Vive e trabalha em Berlim, Alemanha
Gabriel Acevedo Velarde é um artista multimídia que trabalha com vídeo, desenho, animação, objeto e instalação. Sua prática converge subjetividade e história, vinculando-as até a indistinção e explorando o discurso artístico como linguagem. O trânsito por vários países informa a produção do artista, que aborda os conflitos inerentes à política contemporânea e a herança colonial da qual faz parte.
Entre as exposições individuais recentes, destacam-se as realizadas no Mori Museum, Tóquio, Japão (2014); Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía, Madri, Espanha (2013); e Beer, Berlim, Alemanha (2011). Participou de mostras coletivas como Biennale de Lyon, França; Trienal de Guangzhou, China; Bienal de São Paulo; Bienal do Mercosul, Porto Alegre, Brasil entre outras. Suas obras integram acervos como Mali, Lima, Peru; MALBA, Buenos Aires, Argentina; Lacma, Los Angeles, EUA; Museum of Fine Arts, Houston, EUA; JP Morgan Chase Art Collection, EUA, entre outras.
1923, Chavantes, SP, Brasil – 1998, São Paulo, SP, Brasil
Geraldo de Barros produziu obras extremamente influentes na arte brasileira em diversas esferas, sobretudo na arte concreta, fotografia experimental e design. No conjunto da sua obra, revelam-se reflexões amplas sobre a criação artística, a percepção da imagem e o papel da arte na sociedade. Atuando como pintor, gravador, artista gráfico, designer de móveis, empresário e desenhista, Barros foi um importante articulador no circuito paulistano. Integrou os grupos de artistas Foto Cine Clube Bandeirante e Grupo 15, ambos em 1947, Grupo Ruptura em 1952 e o Grupo Rex, em 1966. Ainda funda a cooperativa operária Unilabor (1954-1962) e a empresa Hobjeto (1964-1979), de mobiliário moderno de estrutura modular.
Entre suas principais exposições estão a mostra do grupo Ruptura, no MAM São Paulo, Brasil (1952); 1a Exposição Nacional de Arte Concreta, em São Paulo e Rio de Janeiro (1956); Konkrete Kunst, Helmhaus Zurich, Suíça (1960); Bienal de São Paulo, Brasil; e Bienal de Veneza, Itália (1986). Sua obra integra grandes coleções internacionais como Art Institute of Chicago e Los Angeles County Museum of Art, nos EUA; Ludwig Museum, Colônia, Alemanha; Max Bill Foundation, Zurique, Suíça; Tate, Londres, Reino Unido; e brasileiras como Pinacoteca de São Paulo, MAM São Paulo, e MASP, em São Paulo; e MAM Rio de Janeiro, entre outras.
1914—2010, São Paulo, SP, Brasil
Hércules Barsotti foi pintor, desenhista, programador visual e gravador com uma obra marcada pela austeridade e precisão, características da arte concreta – embora não tenha se filiado ao grupo, realizou projetos com Willys de Castro. Seu estilo se caracteriza pela exploração de superfícies homogêneas e faixas diagonais que se afinam em direção ao centro ou às margens da tela. A repetição confere ritmo e ilusão de tridimensionalidade às obras. A partir da década de 1960, passa a tratar o quadro como um objeto. O interesse de Barsotti pela expansão da pintura no espaço aproxima seu trabalho do Grupo Neoconcreto carioca, com o qual expõe em 1960 no Ministério da Educação e Cultura no Rio de Janeiro e em 1961 no MAM São Paulo, museu que, em 2004, organizou uma retrospectiva dedicada ao artista.
Participou de outras mostras coletivas importantes como Konkrete Kunst, organizada por Max Bill, em Zurique, Suíça (1960); Tradição e ruptura: síntese de arte e cultura brasileira, Fundação Bienal de São Paulo (1984); Brazilian Art Today, no Royal College of Arts, Londres, Reunio Unido (1965); Bienal de São Paulo; Salão Paulista de Arte Moderna, entre outras. Suas obras estão em acervos como MAC USP; MASP, Brasil; MAM São Paulo; MAM Rio de Janeiro, Brasil; MoMA, Nova York, EUA; Museum of Fine Arts, Houston, EUA, entre outros.
1920—2004, São Paulo, SP, Brasil
Pintor e desenhista, Hermelindo Fiaminghi teve sua produção marcada por sua atuação como litógrafo e artista gráfico na área publicitária. Na década de 1950, cultivou com mais afinco a prática da pintura, e passou a integrar os círculos construtivos e o Grupo Ruptura. No entanto, opta por uma via própria de criação, a fim de explorar livremente as possibilidades da sua prática artística. Os embates entre cor e luz tomam acentuado relevo a partir desse rompimento, além da sua experiência em técnicas de impressão, que é aplicada em experimentações com a pintura em têmpera e esmalte. Na década de 1980, a ideia de desconstrução o afasta ainda mais do diálogo concretista, com as séries Desretratos e Despaisagens.
Fiaminghi participou, entre outras mostras, da Exposição nacional de arte concreta, MAM São Paulo, Brasil (1956); Konkrete Kunst, Helmhaus Zurich, Suíça (1960); e do Projeto construtivo brasileiro na arte (1950/1962), Pinacoteca de São Paulo e MAM Rio de Janeiro, Brasil (1977); Tradição e ruptura: síntese da arte e cultura brasileiras, Fundação Bienal de São Paulo (1984), e Bienal Brasil século XX, Fundação Bienal de São Paulo, Brasil (1994). Seu arquivo pessoal é abrigado pelo Instituto de Arte Contemporânea (IAC) em São Paulo, e sua obra integra coleções brasileiras como MAM São Paulo, MAM Rio de Janeiro, Fundação Edson Queiroz, Fortaleza; e internacionais como MoMA, Nova York, e Cisneros Fontanals Art Foundation, Miami, nos EUA.
Iole de Freitas é escultora, gravadora e artista multimídia. Sua produção é preponderantemente escultural e consiste em estruturas compostas de materiais industriais como fios, tubos, serras e tecidos. A artista desenvolve projetos que buscam dialogar com o espaço e a arquitetura onde se inserem.
Participou de importantes mostras internacionais, como Bienal dos Jovens de Paris, França (1975); Bienal de São Paulo, Brasil (1981, 1998), 5ª Bienal do Mercosul, Porto Alegre, Brasil (2005) e a Documenta 12, Kassel, Alemanha (2007). Seus trabalhos integram importantes coleções brasileiras como MAC USP, São Paulo; MAM São Paulo; MAM Rio de Janeiro; MAC Niterói; Museu de Belas Artes do Rio de Janeiro; Museu de Arte do Rio (MAR), Rio de Janeiro, Brasil; e internacionais como Bronx Museum, Nova York, EUA; Museu de Arte Contemporânea de Houston, EUA; entre outras.
1979, Normandia, RR, Brasil – 2021, São Sebastião, SP, Brasil
Ativista e educador do povo Macuxi, que habita a região amazônica na fronteira entre Brasil, Guiana e Venezuela, Jaider Esbell compreendia as artes visuais como uma ferramenta essencial para articular narrativas de resistência. Por meio de exposições, colaborações e palestras, enfatizou a urgência das perspectivas indígenas. Em Boa Vista, Roraima, criou um laboratório artístico e intelectual que reuniu povos indígenas e impulsionou o surgimento de uma nova geração de artistas indígenas. A prática artística de Esbell estava profundamente enraizada na cosmologia Macuxi, que ele entendia como uma criação oriunda de dimensões invisíveis e de elementos da vida que extrapolam o mundo material. Ele defendia uma perspectiva artística que desafia as classificações da história da arte ocidental e seus paradigmas
Esbell foi curador de Apresentação: Ruku, exposição individual apresentada na Galeria Millan, São Paulo, em 2021. Desde então, seu legado tem alcançado reconhecimento internacional por meio de exposições individuais na Gladstone Gallery, em Nova York e Seul (2025), além de sua participação em importantes exposições coletivas, como Complexo Brasil, Fundação Calouste Gulbenkian, Portugal (2025), 2ª Bienal das Amazônias, Centro Cultural Bienal das Amazônias, Belém (2025), 59ª Bienal de Veneza (2022), Mondo Reale, Triennale de Milão (2022), Living Worlds e Le Serpent Cosmique, Fondation Cartier pour l’art contemporain, Lille (2022), e a 34ª Bienal de São Paulo (2021). Suas obras integram coleções de destaque, como as do Centre Pompidou, Paris, Museo de Arte Latinoamericano de Buenos Aires (MALBA), Pinacoteca de São Paulo, e Instituto PIPA, Brasil.
1921, Sertãozinho, SP, Brasil — 2025, São Paulo, SP, Brasil
Jandyra Waters transitou brevemente pelo figurativismo e abstracionismo informal nos anos 1950 até consolidar uma visualidade própria na década de 1960. Nas décadas seguintes, sua produção desdobrou-se em objetos e esculturas, sempre guiada por uma percepção visual que buscava, através da vibração da cor, uma conexão para além da matéria. Sua produção suscitou frequentes interpretações que situavam seu trabalho no campo do metafísico ou do esotérico; a artista, contudo, atribuía tal transcendência à própria potência da geometria e de sua paleta cromática, dissociando-a de influências estritamente religiosas ou filosóficas para concentrar-se na investigação de tensões temporais, dinâmicas e espaciais.
Participou de coletivas no Brasil como Salão de Belas Artes de São Paulo, Salão Paulista de Arte Moderna, Bienal Nacional de Artes Plásticas da Bahia, Salvador, Bienal de São Paulo, e Panorama de Arte Atual Brasileira no MAM São Paulo. Foi objeto de retrospectivas no MAC USP, São Paulo, Brasil (1979) e na Almeida & Dale, São Paulo, Brasil (2015). Suas obras integram acervos como os da Pinacoteca de São Paulo, MASP, MAB-FAAP, MAM São Paulo, e MAC USP, em São Paulo, Brasil.
1906, Melo, Portugal – 1992, Itapira, SP, Brasil
Pioneiro do móvel moderno no país, Joaquim Tenreiro produziu também esculturas, pinturas, tapeçarias, relevos e croquis. Filho e neto de hábeis marceneiros, entrou em contato ainda na infância com o trabalho que iria dominar em sua trajetória de artista com rara maestria. Na década de 1970, depois de iniciar e encerrar suas atividades na área da concepção e fabricação de móveis, Tenreiro passa a criar objetos escultóricos que se integram à arquitetura. Naquela década, a abstração geométrica era retomada no Brasil e no mundo, somada às paletas cromáticas difundidas pela Pop Art, aos efeitos visuais da Op Art, e estimulados pelas estruturas minimalistas, como nos trabalhos de artistas como Judith Lauand e Luiz Sacilotto.
Tenreiro teve sua primeira exposição individual em 1946, no Instituto de Arquitetos do Brasil. Seguiram-se mostras na Galeria Domus, São Paulo (1949); Galeria Bonino, Rio de Janeiro (1970 e 1975); MAM Rio de Janeiro (1977), MAM São Paulo (1978), MAC Niterói (1998), Brasil, entre outras. As mostras coletivas incluem a Bienal de São Paulo, Brasil (1965); Panorama da Arte Brasileira do MAM São Paulo, Brasil; e Salão Nacional de Belas Artes, Rio de Janeiro, Brasil. Sua obra integra coleções brasileiras como MAM Rio de Janeiro, MAC Niterói, MAM São Paulo.
1968, Rio de Janeiro, RJ, Brasil
Vive e trabalha no Rio de Janeiro, RJ, Brasil
A poética de José Damasceno parte do deslocamento de objetos e dimensões, e do estranhamento diante de justaposições. A representação fluida de mundos internos e externos é potencializada pelo artista com a transformação dos espaços que ocupa, por meio da criação de acontecimentos improváveis e acumulação de vários elementos materiais, que mobilizam em seus espectadores o imaginário, os sentidos, a temporalidade e a percepção da realidade. Para isso, se vale também do desenho, fotografia, escultura, intervenções arquitetônicas e textuais. Desde o início da sua circulação, no final da década de 1980, Damasceno tornou-se um dos artistas brasileiros de maior visibilidade internacional, reconhecido por suas múltiplas linguagens, escalas e inventividade.
Realizou mostras individuais na Pinacoteca de São Paulo, Brasil (2021); Santander Cultural, Porto Alegre, Brasil (2015); Holborn Library, Londres, Reino Unido (2014); Casa França-Brasil, Rio de Janeiro, Brasil (2014); Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía, Madri, Espanha (2008); Museum of Contemporary Art, Chicago, EUA (2004), entre outros. Representou o Brasil na Bienal de Veneza, Itália (2005, 2007), e tem participações na Bienal de Sydney, Austrália (2006), Bienal do Mercosul, Porto Alegre, Brasil (2003), e Bienal de São Paulo, Brasil (2002). Sua obra integra acervos institucionais tais como Tate, Londres, Reino Unido; Cisneros Fontanals Art Foundation, Miami, EUA; Daros Latinoamerica AG, Suíça; Instituto Inhotim, Inhotim, Brasil, MAM São Paulo, Brasil, Museu d’Art Contemporani de Barcelona, Espanha, e MoMA, Nova York, EUA.
1924, Santo André, SP, Brasil — 2003, São Bernardo do Campo, SP, Brasil
Luiz Sacilotto foi uma das principais referências da arte concreta paulistana e um dos precursores do concretismo brasileiro. Integrante do Grupo Ruptura ainda no início da década de 1950, ao longo de sua carreira manteve-se alinhado aos princípios da arte concreta, em processos metódicos e matemáticos, remetendo a práticas de produção industrial. Em seu trabalho, explorava oposições, como a acentuação dos contrastes entre figura e fundo e as variações tonais, antecipando investigações centrais da Op Art, como a falibilidade da visão e as ilusões de ótica. Suas obras revelam um extenso repertório de ações contínuas: movimentos de rotação, expansão e retração, que produzem dinamismo e ilusões de profundidade e volume.
A obra de Sacilotto foi objeto de importantes retrospectivas em instituições como o MAM São Paulo e o Museu Oscar Niemeyer, Curitiba, bem como de mostras coletivas que destacaram seu papel central na arte do século XX, incluindo North Looks South: Building the Latin American Art Collection (2009) e Inverted Utopias: Avant-garde Art in Latin America, 1920-1970 (2004), ambas no Museum of Fine Arts Houston (MFAH), EUA. Sua obra faz parte das principais coleções institucionais do Brasil, como Pinacoteca de São Paulo, Coleção Gilberto Chateaubriand no MAM Rio, MAC USP, e coleções internacionais como o MoMA em Nova York, e o MFAH, EUA.
1959, São Paulo, SP, Brasil
Vive e trabalha no Rio de Janeiro, RJ, Brasil
Luiz Zerbini desenvolve uma abordagem exploratória da pintura, expandindo os limites do suporte ao articular instalações e esculturas ao campo pictórico. O artista constrói ecossistemas visuais que transitam entre o rigor da observação botânica e a cultura visual contemporânea, criando atmosferas densas onde o sujeito e a paisagem se mimetizam. Em suas composições, a grade funciona como elemento estruturante; uma trama que arquiteta tanto experimentos ópticos e cromáticos quanto composições figurativas de grande complexidade. Sua produção acompanha a evolução da pintura contemporânea brasileira, ao mesmo tempo em que articula temas clássicos, como a paisagem, a natureza-morta e o autorretrato. Por meio de uma revisão crítica da iconografia oficial, o artista analisa a história da arte nacional, em sintonia com as questões do presente.
Em 1995, fundou o coletivo Chelpa Ferro ao lado de Barrão e Sérgio Mekler, voltado às experimentações entre música, escultura e tecnologia, com o qual representou o Brasil na 51ª Bienal de Veneza (2005). O artista integrou a mostra Como vai você, Geração 80?, Escola de Artes Visuais do Parque Lage, Rio de Janeiro (1984); e participou de edições da Bienal de São Paulo. De sua trajetória institucional, destacam-se as individuais e retrospectivas realizas no MAM Rio de Janeiro (2012, 2019); MAM São Paulo (2013); Power Station of Art, Xangai, China (2021); e MASP, São Paulo (2022). Suas obras integram acervos brsilerios como Instituto Inhotim, Brumadinho; Pinacoteca de São Paulo; MASP, São Paulo; MAM São Paulo; MAM Rio de Janeiro; além da Fondation Cartier pour l’art contemporain, Paris, França.
1920, Belo Horizonte, MG, Brasil — 1988, Rio de Janeiro, RJ, Brasil
A obra de Lygia Clark abarca transformações cruciais na arte da segunda metade do século XX. A artista fez parte de uma geração responsável por ampliar linguagens, estabelecer vínculos com as questões socioculturais e engajar o público na experimentação artística. Expoente da abstração geométrica no Brasil, da qual emergiria o movimento neoconcreto, Clark demonstrou desde o início de sua prática uma preocupação com a pintura enquanto objeto e com a relação entre a obra de arte e o espaço real. Gradualmente, seu trabalho passou do suporte bidimensional a experiências tridimensionais e processuais. Na virada das décadas de 1950 e 1960, Clark começou a explorar os limites entre o objeto de arte e o espaço físico, assim como a relação entre a obra e o espectador, lançando as bases para uma pesquisa radical que definiria sua produção futura.
Entre as inúmeras exposições coletivas das quais participou, destacam-se as diversas edições da Bienal de São Paulo e da Bienal de Veneza, Itália. Entre as exposições individuais, têm destaque as realizadas na Signals Gallery, Londres, Inglaterra (1965); MAM Rio de Janeiro (1963, 1968); FUNARTE, Rio de Janeiro (1980); MAM São Paulo (1999); Itaú Cultural, São Paulo (2013) e Pinacoteca de São Paulo, Brasil (2024).
1927, Nova Friburgo, RJ, Brasil — 2004, Rio de Janeiro, RJ, Brasil
A produção de Lygia Pape abarca a pintura, escultura, gravura, cinema e performance. Formas geométricas e cores vibrantes marcam sua obra, junto da investigação das relações entre espaço, tempo e corpo humano. A partir dos anos 1950, integrou o Grupo Frente e teve papel fundamental no desenvolvimento do concretismo e, posteriormente, do movimento neoconcreto no Brasil. Precursora dos livros de artista, Pape desenvolveu projetos baseados no formato livro, explorando possibilidades de criar narrativas que pudessem ser manipuladas ou reimaginadas mentalmente pelos espectadores. Ao longo dos anos, aprofundou sua pesquisa sobre o papel ativo do público na criação de obras, realizou diversos projetos de videoarte e cinema, trabalhou na área de design gráfico e lecionou cursos no Rio de Janeiro, no MAM e na Escola de Artes Visuais do Parque Lage.
Entre suas individuais recentes têm destaque as no Art Institute of Chicago, EUA (2023); Metropolitan Museum of Art, Nova York, EUA (2017); Pinacoteca de São Paulo, Brasil e Serpentine Gallery, Londres, Reino Unido (2011). Entre as coletivas, destacam-se sete edições da Bienal de São Paulo, além de mostras históricas como Nova Objetividade Brasileira (1967) e Projeto Construtivo Brasileiro na Arte: 1950-1962 (1977). Suas obras integram grandes acervos nacionais e internacionais como Hammer Museum, Los Angeles, EUA; MoMA, Nova York, EUA; Tate Modern, Reino Unido; Instituto Inhotim, Brumadinho, Brasil; Pinacoteca de São Paulo, Brasil, entre outros.
1931, Santa Rosa de Viterbo, SP, Brasil — 1992, São Paulo, Brasil
Mari Yoshimoto foi uma artista interdisciplinar com uma produção que transitou entre a escultura, a moda, o design e o teatro. Estudou a pintura tradicional japonesa sumi-ê com Massao Okinaka em 1955 e comunicação visual com Flávio Império em 1965. Sua obra é definida pela investigação espacial e pela permeabilidade. Inspirada pela filosofia e estética da ikebana, Yoshimoto utilizou metais — como chapas de ferro dobradas, arame farpado e telas metálicas — para criar estruturas que exploram o vazio, a transparência e a luz. Na ausência de um ateliê próprio de escultura, trabalhou em oficinas mecânicas e funilarias, onde desenvolveu, de forma autodidata, o domínio de técnicas de soldagem metálica. Foi pioneira em conceitos como a escultura portátil e os múltiplos transformáveis, rejeitando o objeto estático em favor de obras que demandam a participação ativa do público.
Sua trajetória inclui participações na Bienal de São Paulo (1967, 1969); no Panorama da Arte Atual Brasileira, no MAM São Paulo (1972-1985); e da mostra Um século de escultura no Brasil, no MASP, São Paulo (1982). Participou de mostras do Grupo Guanabara (1958-1959); e recebeu premiações em edições do Salão do Grupo Seibi (1965, 1966). No teatro, colaborou na histórica montagem de Roda viva (1968), com direção de Zé Celso e cenografia de Flávio Império; e assinou os figurinos para shows de Ney Matogrosso. Recentemente, sua obra figurou em mostras como Nipo-brasileiros: no acervo da Pinacoteca, na Pinacoteca de São Paulo (2008); Notas para depois de amanhã, no MAC RS, Porto Alegre (2023); e O jardim do MAM no Sesc, Sesc Interlagos, São Paulo (2024). Suas obras integram acervos como Pinacoteca de São Paulo; MAM São Paulo; MAC USP; e MAC RS, Porto Alegre, Brasil.
1908, Winterthur, Suíça – 1994, Berlim, Alemanha
Figura central na formulação e difusão do concretismo e construtivismo, o suíço Max Bill teve uma carreira nas artes que se estendeu entre a teoria, prática artística, e o ensino. Formado pela Bauhaus, Bill teve extensa atuação enquanto designer, pintor, escultor, arquiteto, professor e autor, tanto no Brasil quanto na Alemanha. Sua primeira exposição no Brasil acontece no MASP em 1951, a convite do então diretor Pietro Maria Bardi. No mesmo ano, a 1ª Bienal de São Paulo premia Unidade tripartida com o Grande Prêmio de escultura. Em 1953, o artista realizou conferências no Brasil que se tornaram notórias por sua influência na formação do concretismo do Grupo Ruptura de Waldemar Cordeiro e Luiz Sacilotto, e do Grupo Frente de Ivan Serpa, Geraldo de Barros e Abraham Palatnik.
Bill realizou exposições individuais no Kunsthaus Zürich, Suíça (1942); Tate, Londres, Reino Unido (1966); Haus Konstruktiv, Zurique (2005); e Centro Cultural Banco do Brasil, São Paulo (2013). Participou de exposições coletivas como a Bienal de São Paulo, Brasil (1951, 1953); e a Documenta, Kassel, Alemanha (1955). Sua obra integra coleções como do MoMA, Nova York, EUA; Tate, Londres, Reino Unido; Centre Pompidou, Paris, França; Kunsthaus Zürich; MAM São Paulo, Brasil; e Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía, Madri, Espanha.
1938, São Francisco, EUA — 2024, Orient, EUA
Richard Serra foi um dos escultores mais influentes do pós-guerra nos EUA, célebre por monumentais obras em aço que redefiniram as relações entre espaço e espectador. Nascido em São Francisco, trabalhou em siderúrgicas na juventude, vivência que fundamentou seu interesse pela escala e pelo peso dos materiais industriais. Após cursar Literatura Inglesa, graduou-se em pintura na Yale University, onde colaborou com Josef Albers. Uma bolsa de estudos o levou a Paris, onde as visitas ao estúdio de Constantin Brancusi foram determinantes para sua transição à escultura. Em Nova York, integrou círculos de vanguarda com artistas como Eva Hesse e Robert Smithson, iniciando experimentos com borracha e fibra de vidro. Sua pesquisa evoluiu para as obras de chumbo fundido da série Splash e as icônicas peças de apoio da série Props, que desafiam a soldagem tradicional ao utilizar exclusivamente a gravidade e o peso para sustentar massivas chapas de metal.
Sua primeira individual nos EUA ocorreu no Leo Castelli Warehouse, Nova York, EUA (1969). Ao longo das décadas, Serra expandiu sua prática para o cinema e o vídeo, antes de consolidar sua presença institucional com individuais na Kunsthalle Tübingen, Alemanha (1978); no Musée National d’Art Moderne, Paris, França (1984); e duas grandes retrospectivas no Museum of Modern Art (MoMA), Nova York, EUA (1986, 2007). Destacam-se ainda a instalação permanente no Guggenheim Bilbao, Espanha (2005); e mostras no Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía, Madri, Espanha (1992). Suas obras integram acervos como os do MoMA, Nova York, EUA; Solomon R. Guggenheim Museum, Nova York, EUA; Dia Art Foundation, Nova York, EUA; Tate Modern, Londres, Reino Unido; e Centre Pompidou, Paris, França.
1906, Pécs, Áustria-Hungria — 1997, Paris, França
Tido como precursor maior da Op Art, Victor Vasarely foi um artista de notável inventividade que impactou profundamente a arte abstrata, assim como as relações entre a arte do século XX e o estabelecimento da era computacional. Por meio de uma reconstrução sistemática da natureza segundo regras matemáticas e estruturantes, Vasarely recompunha formas globais, geométricas e padrões cromáticos a partir de permutações e algoritmos. Para além da forma, o artista húngaro também se interessava pela dimensão social da arte, defendendo o trabalho colaborativo entre arquitetos, pintores e escultores, bem como a ideia de que a arte deve ser acessível a todas as pessoas.
Vasarely participou de incontáveis mostras coletivas, individuais e retrospectivas. Le Mouvement na Galerie Denise René de Paris, França (1955) constitui um momento decisivo na arte cinética e deu origem ao chamado “Manifesto Amarelo”; e The Responsive Eye, no MoMA, EUA (1965) marcou a Op Art. Sua obra figurou em várias eidições da Documenta de Kassel, Alemanha (1955, 1959, 1964, 1968). Suas obras estão presentes em coleções como Art Institute of Chicago, EUA; Tate, Londres, Reino Unido; Peggy Guggenheim Collection em Veneza, Itália; MAM São Paulo, Brasil; entre outras.