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Guillermo Kuitca

Guillermo Kuitca

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The Family Idiot
2019
Óleo sobre tela em moldura de artista (tríptico)
92,5 x 186 cm
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Guillermo Kuitca trabalha sobretudo com pintura, desenho e instalação. Suas obras mobilizam um repertório iconográfico próprio, que inclui objetos do espaço doméstico, modelos de representação arquitetônica e mapas, em diálogo com fatura e estilos de diferentes correntes pictóricas modernas. Formadas por pinceladas expressivas, suas pinturas combinam espaços atmosféricos envolventes com imagens detalhadas que convidam a uma observação minuciosa ou, ainda, constituem instáveis campos de formas cubistóides — estilo pelo qual o artista também é reconhecido internacionalmente.  

Kuitca 86. De Nadie olvida nada a Siete últimas canciones — Malba, Buenos Aires, Argentina, 2025

Kuitca 86. De Nadie olvida nada a Siete últimas canciones — Malba, Buenos Aires, Argentina, 2025

Guillermo Kuitca — Filosofia para Princesas — Pinacoteca de São Paulo, Brasil, 2014

Guillermo Kuitca — Filosofia para Princesas — Pinacoteca de São Paulo, Brasil, 2014

Guillermo Kuitca — Filosofia para Princesas — Pinacoteca de São Paulo, Brasil, 2014

Guillermo Kuitca — Filosofia para Princesas — Pinacoteca de São Paulo, Brasil, 2014

Guillermo Kuitca — Filosofia para Princesas — Pinacoteca de São Paulo, Brasil, 2014

Guillermo Kuitca — Filosofia para Princesas — Pinacoteca de São Paulo, Brasil, 2014

Guillermo Kuitca — Filosofia para Princesas — Pinacoteca de São Paulo, Brasil, 2014

Guillermo Kuitca — Filosofia para Princesas — Pinacoteca de São Paulo, Brasil, 2014

Nadie Olvida Nada

Na série Nadie Olvida Nada, iniciada em 1982, a imagem da cama fez sua primeira aparição consistente na obra de Guillermo Kuitca, imagem que se tornaria recorrente em seus trabalhos. Ao mesmo tempo objeto doméstico e território psicológico, a cama nas obras de Kuitca aparece como um lugar de repouso, sonho, abandono e retorno que o artista revisita ao longo de décadas e diferentes meios.

"É sua Pedra de Roseta, seu ponto de partida e o lugar para o qual ele retorna com mais frequência. Kuitca tem pinturas com camas, de camas e sobre camas."
– Sonia Becce, Kuitca 86, MalBA, Buenos Aires, 2025

A partir desse período, a construção do espaço em suas pinturas sofre uma mudança, tornando-se um espaço que abriga diferentes eventos e cenas narrativas, influenciado pelo contato de Kuitca com o teatro, como o trabalho de Tadeusz Kantor e Pina Bausch durante sua visita à Argentina nos anos 1980, ou, ainda, por referências à cena do carrinho de bebê em O Encouraçado Potemkin de Eisenstein — que se passa na escadaria de Odessa, local de origem dos avós de Kuitca. 

A série surgiu no contexto de uma Buenos Aires em profunda transição social e cultural, os anos finais da ditadura militar e o gradual retorno à vida democrática, de modo que seu título e as imagens de camas vazias e desocupadas ecoam os trinta mil desaparecidos vítimas da ditadura — assunto abordado diretamente em sua obra De 1 a 30.000, na qual o artista escreve, número por número, a contagem total dos desaparecidos.

A sensibilidade teatral também opera nas séries El mar dulce e El ejército del Ebro e permaneceria como princípio estruturante em toda a sua obra. Em 1985, Kuitca participou da 18ª Bienal de São Paulo, afirmando desde o início uma circulação internacional de sua pintura.

 

Mapas e Colchões

No final dos anos 1980, Kuitca iniciou as pinturas sobre colchões, um de seus mais icônicos conjuntos de obras. Os trabalhos consistem em mapas rodoviários, diagramas de trânsito e plantas arquitetônicas pintados diretamente sobre superfícies de colchão. Essas obras oscilam entre a intimidade evocada pelo colchão e a estruturalidade dos mapas, instrumentos de legibilidade e controle. A lógica cartográfica de orientação e demarcação é inscrita sobre um objeto que fala apenas de vulnerabilidade, de corpos em repouso ou fuga. A série parece abordar as formas como as abstrações geopolíticas são vividas e sofridas na carne. 

A série foi apresentada na 20ª Bienal de São Paulo em 1989 e, pouco depois, lançou Kuitca ao reconhecimento internacional. Em 1991, ele foi tema de uma apresentação individual no programa Projects do MoMA, em Nova York. E, no ano seguinte, em 1992, participou da documenta IX em Kassel, curada por Jan Hoet, onde apresentou uma obra que hoje integra o acervo da Tate em Londres. Mais recentemente, em 2014, uma grande instalação de pinturas sobre colchões foi apresentada em Filosofia para princesas, exposição retrospectiva de Kuitca na Pinacoteca de São Paulo. 

“The use of geography in my work always had to do with using structures with an interesting morphology beyond the meaning of the names, though always assuming that names have a certain impact, because among them there were names that reverberated in the immediate political or historical scene. That means that if Karl-Marx-Stadt [Chemnitz today], Warsaw, etcetera, were there, those names could resonate beyond my intentions. That is something that history does to art, not artists to history.”
– Guillermo Kuitca in an interview with Haupt & Binder, 2017

Guillermo Kuitca. Sem título, 1992. 20 camas (40 x 60 x 120 cm cada. Tate Collection.

Guillermo Kuitca — Filosofia para Princesas — Pinacoteca de São Paulo, Brasil, 2014

Guillermo Kuitca — Filosofia para Princesas — Pinacoteca de São Paulo, Brasil, 2014

Guillermo Kuitca: Everything — Hirshhorn Museum and Sculpture Garden, Washington DC, EUA, 2010

Guillermo Kuitca: Paintings 2008 – 2010, Le Sacre 1992 — Sperone Westwater,Nova Iorque, EUA, 2010

Guillermo Kuitca: Obras 1982 / 2002 — Museo Reina Sofia, Madri, Espanha, 2003

Guillermo Kuitca. Burning Beds: A Survey 1982 – 1994 — Whitechapell, Londres, Inglaterra, 1995

Projects 30 – Guillermo KuitcaMoMA, Nova Iorque, EUA, 1991

Guillermo Kuitca. 20ª Bienal de São Paulo – Bienal de São Paulo, São Paulo, Brasil, 1989

Diários e Puro Teatro

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Trauerspiel (Tragedy)
2001
Óleo sobre tela
195,6 x 324,5 cm
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A série Puro Teatro, iniciada em 1995 e estendendo-se pelas décadas seguintes, apropria-se de imagens de cenários teatrais e arquiteturas de palco — cortinas, proscênios, coxias, perspectivas de plateias vazias — traduzindo-as em pinturas que tratam o próprio espaço pictórico como uma cena e refletem o engajamento mais profundo de Kuitca com o teatro em meados dos anos 1990. 

A série abrangeria trabalhos conectados a produções e encomendas específicas, como o cenário para Der fliegende Holländer [O Holandês Voador] de Wagner (2003 e 2009), as cortinas para o Dallas Theater, EUA (2008), e Bodas de Sangre (2022), produções e peças com as quais Kuitca esteve diretamente envolvido, seja na concepção cênica ou na criação de cenários. 

Outra de suas séries mais longevas, Diários (1994—em andamento), opera num registro mais íntimo, funcionando como documentos privados, anotação, acumulação e evidenciando a prática de ateliê como um registro contínuo. Nesses trabalhos, um conjunto dos quais foi apresentado na 52ª Bienal de Veneza em 2007, o artista coloca telas em branco sobre mesas de trabalho que, com o tempo, gradualmente acumulam marcas e vestígios da passagem do tempo e da vida no ateliê, que vão desde pincéis limpos sobre suas superfícies até rabiscos e manchas deixadas por outros objetos. 

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5 November 2010 – 12 April 2011
2011
Técnica mista sobre tela
120 x 120 x 4.1 cm
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18 September 2014 – 15 January 2015
2015
Técnica mista sobre tela
120 x 120 x 4.1 cm
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15 January 2015 – 7 January 2016
2016
Técnica mista sobre tela
120 x 120 x 4,1 cm
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Na virada do milênio, a obra de Kuitca entrou num campo ampliado de ambição e escala. Em 2000, ele foi tema de uma grande apresentação na Fondation Cartier pour l’art contemporain em Paris. As obras expostas incluíam Terminal e Trauerspiel, pinturas emblemáticas nas quais aparecem esteiras de bagagem vazias — imagens que retornariam mais tarde no cenário que Kuitca concebeu para O Holandês Voador de Richard Wagner no Teatro Colón, Buenos Aires, em 2003. 

Referências às óperas de Wagner também aparecem em obras da série The Ring, desenhos e gravuras nos quais mapas de assentos de teatros de ópera e salas de concerto reaparecem distorcidos ou transformados em formas livres e abstratas relacionadas ao ciclo operístico do compositor alemão. 

Guillermo Kuitca — Venice Biennale, Think with the Senses – Feel with the Mind — Veneza, Itália, 2007

Guillermo Kuitca — Venice Biennale, Think with the Senses – Feel with the Mind — Veneza, Itália, 2007

Guillermo Kuitca — Diarios 2000-2025, Arthaus, Buenos Aires, Argentina, 2026

Guillermo Kuitca — Everything, painting and works on paper 1980 – 2008 – Albright-Knox Art Gallery, Buffalo, E, 2010

Der Fliegende Holländer — Cenografia, Teatro Colón, Buenos Aires, Argentina, 2003

2007 — Pinturas Cubistoides

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Sem título (Exodus)
2015
Óleo sobre tela
200 x 630 cm
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As pinturas cubistoides foram uma espécie de libertação. Elas significaram a erupção de uma linguagem diferente. Eu não sabia de onde vinham, simplesmente aceitei a possibilidade de pintar de maneira abstrata, possibilitando uma linguagem visual muito específica. Não recorri ao cubismo como um pastiche histórico ou gesto pós-moderno, apareceu como algo que eu mesmo descobri.
— Guillermo Kuitca, Kuitca 86, MalBA, Buenos Aires, 2025

As pinturas cubistoides de Guillermo Kuitca surgiram após um período em que o artista se dedicara quase exclusivamente a instalações e intervenções espaciais de grande escala. Desenvolvidas inicialmente nas pinturas Desenlace exibidas no Pavilhão Argentino da 52ª Bienal de Veneza (2007), a série marcou uma mudança radical na prática de Kuitca. Construídas a partir de estruturas geométricas fragmentadas, traços diagonais e acumulações rítmicas de marcas, as obras reconciliam a abstração com uma sensação ilusionista de espaço, evitando a figuração direta. Kuitca descreveu o estilo como “cubistoide”, evocando o cubismo sem aderir totalmente a ele: as formas segmentadas tornam-se a própria estrutura composicional, muitas vezes moldada pelo movimento corporal e pela repetição. 

 

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Sem título
2011
Óleo sobre tela
198,5 x 377 x 3,4 cm
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Retablo
2016
Óleo sobre painéis de madeira
330 x 245 x 185 cm
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Guillermo Kuitca: Si yo Fuera el Invierno Mismo (If I were Winter itself) – A bienal de Veneza, Pavilhão da Argentina, Veneza, Itália, 2007

Guillermo Kuitca — Kunsthaus Pasquart, Biel, Suiça, 2007

Guillermo Kuitca – Hauser & Wirth, Los Angeles, USA, 2019

L'Encyclopédie

A série L’Encyclopédie começou no final dos anos 1990, partindo de gravuras arquitetônicas reproduzidas na Encyclopédie do século XVIII organizada por Denis Diderot e Jean le Rond d’Alembert. Engajando-se com o ideal iluminista de catalogar todo o conhecimento humano, Kuitca transforma planos de pisos e tetos de mármore em imagens instáveis e atmosféricas que dissolvem a ordem. Nos primeiros trabalhos, a tinta de fac-símiles é deslocada com água diretamente sobre a tela, fazendo com que as estruturas arquitetônicas se desfoquem e liquefaçam. No início dos anos 2000, a série evoluiu por meio da manipulação de papel fotográfico revestido, cujas superfícies delaminadas produziam composições fragmentadas e em colapso, posteriormente transpostas meticulosamente para grafite sobre tela. Ao longo da série, a racionalidade arquitetônica dá lugar à ruptura, à deriva e ao desaparecimento, refletindo o interesse de longa data de Kuitca pela tensão entre sistemas de conhecimento e a instabilidade da memória, do espaço e da percepção.

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Encyclopédie VI
2010
Acrílica e grafite sobre tela
196 x 148 cm
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Encyclopédie VII
2010
Acrílica e grafite sobre tela
196 x 153 cm
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Guillermo Kuitca — Hauser & Wirth, Londres, Inglaterra, 2012

Guillermo Kuitca-Ouvres Récentes — Fondation Cartier pour l’Art Contemporain, Paris, França, 2000

Guillermo Kuitca — Hauser & Wirth, Londres, Inglaterra, 2012

A Capela do Museu Picasso

A obra de Kuitca trata a pintura menos como um objeto do que como uma condição do pensamento espacial — que pode migrar para paredes, salas e ambientes construídos, ao mesmo tempo que dobra esses ambientes de volta à lógica pictórica. Em 2023, Guillermo Kuitca apresentou um novo trabalho na capela do Museu Picasso em Paris. O artista pintou completamente as paredes da capela com suas reconhecíveis formas cubistoides, uma expansão da pintura que ele já havia realizado em outras ocasiões, como em 2014 na Fondation Cartier, quando recriou uma sala concebida por David Lynch. 

Por mais de 40 anos, Kuitca tem mantido uma prática multifacetada e inquieta, informada pelo teatro, dança, música e filosofia, resultando em um conjunto de obras que oscila entre o íntimo e o estrutural. Camas, cadeiras e cenas de interior coexistem ou se opõem a plantas baixas, assentos de teatro e mapas, evocando aspectos da experiência íntima, subjetiva e psicológica, ao mesmo tempo que os aproximam ou os contrastam com sistemas organizacionais de grande escala, estabelecendo ainda diálogos ambíguos e poéticos com a realidade política. 

 

Guillermo Kuitca — Chapelle – Musée Picasso, Paris, França, 2024

Guillermo Kuitca — Chapelle – Musée Picasso, Paris, França, 2024

Guillermo Kuitca — Les Habitants – Exposição em colaboração com David Lynch – Fondation Cartier pour l’art contemporain, Paris, Franç, 2014

Guillermo Kuitca — Les Habitants – Exposição em colaboração com David Lynch – Fondation Cartier pour l’art contemporain, Paris, França, 2014

Guillermo Kuitca — Chapelle – Musée Picasso, Paris, França, 2024