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Viewing Rooms
Heitor dos Prazeres e o Carnaval

Heitor dos Prazeres e o Carnaval

Eu sou Heitor de Prazeres, Heitor dos Prazeres é meu nome. Este prazer que eu tenho no nome é o prazer que eu divido com o povo. Este povo com quem eu reparto este prazer. Este povo que sofre, este povo que trabalha, este povo alegre com quem eu compartilho a alegria desse povo. A alegria deste povo, o sofrimento deste povo é o que me obriga a trabalhar. É o que me faz transportar para a tela o sofrimento do povo.
Heitor dos Prazeres, 1965
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Sem título
1965
Óleo sobre tela
50 x 61 cm
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Sambistas no canavial
1965
Óleo sobre tela
50 x 61 cm
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Sem título
1965
Óleo sobre tela
38 x 46 cm
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Heitor dos Prazeres é um dos artistas brasileiros mais complexos e interessantes do século XX. Ele, que começou a pintar com cerca de 30 anos, quando já era uma figura proeminente no cenário cultural carioca, transportou para as telas suas vivências nos meios do samba, do carnaval e do candomblé, com um olhar atento para o cotidiano das populações negras em meio à emergência da modernidade no país.

Sua atuação está intimamente ligada a momentos cruciais da história brasileira. Nascido em 1898, uma década após a abolição oficial da escravidão, construiu um registro singular das dinâmicas de trabalho, de sociabilidade e de religiosidades negras no contexto da modernização, assim como do processo de transformação do samba — de uma expressão musical criminalizada à sua apropriação como símbolo nacional durante o período do Estado Novo. Sua atuação múltipla nos oferece uma relevante visão sobre a formação e constituição da identidade brasileira, e nesse sentido, pode ser considerado complementar ao projeto empreendido pelo modernismo paulista, assim como um exemplo pioneiro da indistinção entre arte e vida.

Esse legado foi homenageado no desfile da escola de samba Unidos da Vila Isabel do Carnaval de 2026. O samba-enredo Macumbembê, Samborembá: Sonhei Que Um Sambista Sonhou a África, narra fatos notáveis da história do multiartista — como a composição do samba Pierrot apaixonado, ao lado de Noel Rosa, seu papel como Ogã–Alabê no terreiro de Tia Ciata e sua consagração como pintor — para revelar Heitor dos Prazeres como alguém que pensou e agiu pela valorização da diversidade das diásporas africanas que formaram a cultura brasileira na região do Rio de Janeiro que ele apelidou de “África em miniatura” — e que, mais tarde, se tornou conhecida como Pequena África.

Inspirado pelo Carnaval, este viewing room reúne uma seleção de pinturas realizadas na década de 1960, que têm o samba como tema central. Entre elas, estão obras expostas na 36ª Bienal de São Paulo, exposição encerrada em janeiro, que também deu destaque ao artista e à sua relação com a música.

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Sem Título
1965
Óleo sobre tela
61 x 50 cm
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Sem título
1961
Óleo sobre tela
46 x 38 cm
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Briga de rua
1966
Óleo sobre tela
37 x 45 cm
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Sem Título
1964
Óleo sobre tela
37.5 x 45.5 cm
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Sem título
s.d.
Óleo sobre tela
50 x 61 cm
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Sem Título
1960
Óleo sobre tela
50 x 61 cm
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Sem Título
1964
Óleo sobre tela
50 x 61 cm
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Jogo de baralho
1966
Óleo sobre tela
50 x 60 cm
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Sem Título
1964
Óleo sobre tela
45 x 37,5 cm
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Sem título
Dec. 1960
Óleo sobre tela
50 x 61,5 cm
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Déc. 1960
Óleo sobre tela
38 x 46 cm
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Sem Título
s.d.
Óleo sobre tela
50 x 61 cm
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Sem Título
1949
Óleo sobre papel
38,5 x 39,5 cm
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Heitor dos Prazeres na Bienal de São Paulo

Ainda em vida, Heitor dos Prazeres teve sua produção como artista visual reconhecida. Em 1951, o artista recebeu o prêmio de pintura nacional na primeira Bienal de São Paulo com a obra Moenda (1951), hoje no acervo do Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo – MAC USP, e, no ano seguinte, fez parte da representação brasileira na 26ª Bienal de Veneza, na Itália, e participou de exposições na Argentina, Senegal, Inglaterra, França e Alemanha.

O ano de 2025 marcou seu retorno à Bienal de São Paulo, quando um grande conjunto de obras do artista foi incluído na 36ª edição da exposição. Intitulada Nem todo viandante anda estradas – Da humanidade como prática, a mostra teve curadoria geral do Prof. Dr. Bonaventure Soh Bejeng Ndikung, celebrando a beleza e práticas coletivas e se inspirando pela música e pela poesia como estratégias de resistência política.

A obra de Heitor dos Prazeres é parte de coleções privadas e de instituições como MoMA, Nova York; Centre Georges Pompidou, Paris; El Museo del Barrio, Nova York; Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía, Madri; MAM Rio de Janeiro; Museu AfroBrasil Emanuel Araujo, São Paulo; Museu de Arte do Rio – MAR, Rio de Janeiro; MASP, São Paulo; MAM São Paulo; Pinacoteca do Estado de São Paulo; e Fundação Casa Roberto Marinho, Rio de Janeiro.

“A pintura começa aos 40”, Revista Manchete, 1953

“A pintura começa aos 40”, Revista Manchete, 1953

Jornal Correio da Manhã, 15/07/1952 noticia as obras de Heitor dos Prazeres na 26ª Bienal de Veneza

Parte das obras desse Viewing Room figuraram em exposições e publicações relevantes dos últimos anos. Em ordem de aparição, acompanhe abaixo o histórico de exposições das obras apresentadas:

 

1. Sem título, 1965

 

2. Sambistas no canavial, 1965

Exposições
2023 – Heitor dos Prazeres é meu nome, Centro Cultural Banco do Brasil – CCBB, Rio de Janeiro 

Literatura 
Heitor dos Prazeres é meu nome. Rio de Janeiro: Centro Cultural Banco do Brasil – CCBB, 2023, p.109. 

 

3. Sem título, 1965

Exposições 
2025 – 36. Bienal de São Paulo, Nem todo viandante anda estradas – Da humanidade como prática , São Paulo, Brasil

 

4. Sem título, 1965

Exposições 
2025 – 36. Bienal de São Paulo, Nem todo viandante anda estradas – Da humanidade como prática , São Paulo, Brasil
2023 – Heitor dos Prazeres é meu nome, Centro Cultural Banco do Brasil – CCBB, Rio de Janeiro

Literatura 
Heitor dos Prazeres é meu nome. Rio de Janeiro: MT Projetos de Arte, 2024, p.105

 

5. Sem título, 1961

Exposições
2023 – Heitor dos Prazeres é meu nome, Centro Cultural Banco do Brasil – CCBB, Rio de Janeiro

Literatura 
Heitor dos Prazeres é meu nome. Rio de Janeiro: MT Projetos de Arte, 2024

 

6. Briga de rua, 1966

 

7. Sem título, 1964



8. Sem título, Déc. 1960

Exposições
2025 – 36. Bienal de São Paulo, Nem todo viandante anda estradas – Da humanidade como prática, São Paulo, Brasil

 

9. Sem título, 1964

Exposições
2025 – 36. Bienal de São Paulo, Nem todo viandante anda estradas – Da humanidade como práticaSão Paulo, Brasil
2024 – Uma história da arte brasileira, MAM RJ, Rio de Janeiro, Brasil
2024 – Direito à memória, Casa Zalszupin, São Paulo, Brasil

Literatura 
Lilia Schwarcz (org.) Direito à memória : arte afro-brasileira, indígena e outros modernismos, catálogo de exposição [Exhibition catalog], São Paulo, 2024, p.9

 

10. Jogo de baralho, 1966

Exposições 
2025 – 36. Bienal de São Paulo, Nem todo viandante anda estradas – Da humanidade como prática, São Paulo, Brasil
2023 – Heitor dos Prazeres é meu nome, Centro Cultural Banco do Brasil – CCBB, Rio de Janeiro

Literatura 
Heitor dos Prazeres é meu nome. Rio de Janeiro: MT Projetos de Arte, 2024, p.74

 

11. Sem título, 1964

Exposições 
2025 – 36. Bienal de São Paulo, Nem todo viandante anda estradas – Da humanidade como práticaSão Paulo, Brasil
2024 – Vai, vai, saudade, curadoria (curated by) Cristiano Raimondi, Madre – Museo d’arte contemporanea Donnaregina, Napoli
2023 – Pequenas Áfricas: o Rio que o samba inventou, Instituto Moreira Salles, São Paulo

Literatura 
Heitor dos Prazeres é meu nome. Rio de Janeiro: MT Projetos de Arte, 2024, p.114

 

12. Sem título, déc . 1960 (1960s) 

 

13. Sem título, déc. 1960 (1960s)

Exposições
2024 – Vai, vai, Saudade, curadoria de (curated by) Cristiano Raimondi, Museo Madre, Naples, Italy

 

14. Sem título, s.d

Exposições
2025 – 36. Bienal de São Paulo, Nem todo viandante anda estradas – Da humanidade como prática, São Paulo, Brasil
2024 – Rio: medida da terra, Curadoria [Curated by] Luisa Duarte, Flexa Galeria, Rio de Janeiro 
2023 – Heitor dos Prazeres é meu nome, Centro Cultural Banco do Brasil, Rio de Janeiro 

Literatura
Heitor dos Prazeres é meu nome. Rio de Janeiro: MT Projetos de Arte, 2024, p.26

 

15. Sem título, 1949

Exposições
2025 – 36. Bienal de São Paulo, Nem todo viandante anda estradas – Da humanidade como prática , São Paulo, Brasil