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José Leonilson

José Leonilson

Leonilson c.1987. Foto © Ronaldo Miranda / Arquivo pessoal Projeto Leonilson.

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Sem título
1987
Lápis de cor e pastel oleoso sobre papel
32 x 47 cm
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Sem título
1986
Lápis de cor sobre papel
33 x 24 cm
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Um nome incontornável da arte contemporânea brasileira, Leonilson (1957, Fortaleza, Brasil — 1993, São Paulo, Brasil) é reconhecido por uma obra singular que mobiliza aspectos íntimos, um vocabulário próprio de símbolos e uma ampla experimentação com a linguagem e com suportes como pintura, desenho, gravura, bordado, escultura e instalação.  

O corpo de obras de Leonilson é registro do gozo das paixões e dos encontros sexuais, do sofrimento das desilusões e da insatisfação com o estado do mundo, assim como do medo e das dúvidas diante da fragilidade e finitude da vida. Ao não se furtar a abordar sua homossexualidade e o seu diagnóstico positivo para HIV após 1991, Leonilson construiu um trabalho sensível, delicado e igualmente político ao fazer emergir a vida privada frente ao moralismo e estigmatização que dominavam a esfera pública. 

Suas obras estão presentes nas coleções dos principais museus internacionais, como Tate Modern, Londres; MoMA, Nova York; MACBA, Barcelona; Centre Pompidou, Paris; Museo Nacional de Bellas Artes de Buenos Aires; e brasileiros, como MASP, MAM São Paulo, Pinacoteca de São Paulo, São Paulo; MAM Rio de Janeiro, entre outros. 

Em conjunto com o Projeto Leonilson — dedicado a preservar o legado do artista —, a Almeida & Dale realizou a mostra Leonilson. Corpo político, com curadoria de Agustín Pérez Rubio, em 2022; levou a obra do artista para feiras de arte de alcance internacional; e apoiou a produção de seu catalogue raisonné. Também patrocinou a exposição retrospectiva Leonilson: Drawn (1975-1993), com curadoria de Krist Gruijthuijsen, apresentada no KW Institute for Contemporary Art, Berlim, Alemanha (2020), no Malmö Konsthall, Suécia (2021), e no Museu Serralves, Porto, Portugal (2022).  

Como resultado da parceria que vem se consolidando ao longo de anos, a Almeida & Dale tem o prazer de se juntar à família de Leonilson e ao Projeto Leonilson na representação e difusão da obra do artista.   

Leonilson: agora e as oportunidades — MASP, São Paulo, Brasil, 2024 — foto: Eduardo Ortega

Leonilson: agora e as oportunidades — MASP, São Paulo, Brasil, 2024 — foto: Eduardo Ortega

Leonilson: agora e as oportunidades — MASP, São Paulo, Brasil, 2024 — foto: Eduardo Ortega

Leonilson: agora e as oportunidades — MASP, São Paulo, Brasil, 2024 — foto: Eduardo Ortega

Geração 80

Leonilson é considerado um dos principais nomes da Geração 80 — grupo de artistas vinculado ao retorno à pintura e à aproximação de uma linguagem expressiva e pop. Entre os artistas com os quais estabeleceu contato nesse período estão Luiz Zerbini, Leda Catunda, Ana Maria Tavares, Sérgio Romagnolo, Eduardo Brandão, Ciro Cozzolino e Jac Leirner.

Leonilson estudou na FAAP, em São Paulo, onde teve aulas com Julio Plaza, Regina Silveira e Nelson Leirner. Sua carreira profissional tem início quando monta um ateliê com Zerbini e outros artistas em 1979. Em 1980, deixou o ensino formal e passou a frequentar a Aster, espaço de desenvolvimento artístico criado por Julio Plaza, Regina Silveira, Donato Ferrari e Walter Zanini. Nesse ano realizou sua primeira individual no Museu de Arte Moderna da Bahia, em Salvador. No ano seguinte viajou a Madri, Espanha, e expôs na Casa Brasil, na qual fez uma residência artística. Em seguida, viajou para a Alemanha, França e Itália, países onde conheceu Antonio Dias, Arthur Luiz Piza e seu primeiro galerista, Enzo Cannaviello. Retornou ao Brasil em 1981. Em 1984, participou da emblemática exposição Como vai você, Geração 80? na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, no Rio de Janeiro. 

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Não podemos ter histórias de amor; eu e meu bem
1986
Tinta acrílica e hidrográfica sobre lona
50,5 x 142 cm
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Um léxico pessoal

A produção inicial de Leonilson, mais pictórica, é caracterizada pela liberdade do gesto, grandes formatos e privilegia a lona sem chassi como suporte. Pinceladas vigorosas e cores intensas instigaram leituras sobre a conexão de sua obra com a transvanguarda. No fim da década de 1980, entretanto, Leonilson começa a trilhar um percurso que o conduz a escolhas estéticas muito distintas dessa primeira fase. Palavras, afetos e cartografias do corpo ganham preponderância em seu trabalho, que passa a dispor de uma constelação complexa de referências e símbolos gráficos, como o coração, a escada, o vulcão, a espiral, o globo terrestre, e conjunções como fogo e água, bússola e relógio, corpo e ponte. As palavras desenhadas — característica fundamental do trabalho do artista e que ele conta ter adotado mais conscientemente a partir de 1989 — performam como imagem e texto. “Cada vocábulo do vasto e rico léxico do Leo luta ferozmente contra a dicionarização”, escreveu o curador e amigo Adriano Pedrosa. 

Em entrevistas concedidas aos curadores Adriano Pedrosa em 1991 e Lisette Lagnado em 1992, Leonilson cita como influência e inspiração Antoni Tàpies, Joseph Beuys, Eva Hesse, Robert Ryman, Blinky Palermo, Paul Klee, Leda Catunda, Bispo do Rosário, Lygia Clark, Hélio Oiticica, Agnes Martin, Constantine Cavafy e Marguerite Yourcenar. Delicadeza, materiais adotados, abordagem poética são alguns dos aspectos que o atraíram para a obra desses artistas. 

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Estigmas, curiositas, exvagus
1989
Litografia sobre papel
76 x 56 cm
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Oceano, aceita-me?
1991
Tinta de caneta permanente sobre papel
30 x 23 cm
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Truth/Fiction, Favorite Game

No fim da década de 1980, o caráter pessoal e autobiográfico se intensifica em suas obras. Nesse momento, o artista também experimenta novos procedimentos, recorrendo às costuras e aos bordados, que conferem corpo a seus trabalhos. A produção madura de Leonilson reflete sobre os tênues limites entre o que pode ser dito e o que é da ordem do incomunicável. Por meio de suas obras, o artista elabora um diário íntimo ao mesmo tempo particular e aberto, no qual signos e códigos revelam e ocultam. A relação entre verdade e ficção é tensionada e a ambiguidade se manifesta como recurso poético. Os espaços deixados em branco revestem suas obras de silêncio e delicadeza, principalmente em seus desenhos e gravuras. O formato diminuto de suas obras em papel acentua e concentra aquilo que o artista busca expressar.

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Projeto para Catálogo: Leonilson - Museu de Arte Contemporânea de Campinas II - Página 4
1990
Tinta de caneta permanente sobre papel
22,5 x 16 cm
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O imperfeito
1993
Linha sobre tecidos
155 x 97 cm
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Os pensamentos do coração

O desejo tem lugar central no discurso visual de Leonilson. Para a curadora Lisette Lagnado, “Leonilson foi movido pela compulsão de registrar sua interioridade a fim de dedicá-la aos objetos de desejo”. O corpo masculino como objeto de interesse e os prazeres e angústias das relações afetivas eram elaborados cotidianamente por Leonilson. Em 1991, ele cria Os dedicados, uma série em tinta de caneta permanente e aquarela sobre papel em que cada desenho representa um encontro ou interesse amoroso. Em diversos trabalhos, a fragilidade e o amor são simbolicamente corporificados pelo coração exposto e pela cicatriz, assim como o desejo é representeado pelo vulcão e pelo fogo.

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Os pensamentos do coração - miniatura
c. 1988
Caneta hidrográfica sobre papel
8,4 x 10 cm
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Longo caminho de um rapaz apaixonado
c. 1989
Tinta de caneta permanente, guache e nanquim sobre papel
12 x 18 cm
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O filósofo, da série Os dedicados
1991
Caneta permanente e aquarela sobre papel
30,5 x 23 cm
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O perigoso

Em meados de 1991, Leonilson recebe o diagnóstico positivo para HIV. A descoberta da doença impulsiona o artista a elaborar novas formas metafóricas para se expressar e lidar com a finitude — como a série O perigoso (1992), que poeticamente testemunha sua condição.  

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O perigoso (série)
1992
Tinta de caneta permanente e sangue sobre papel
30,5 x 23 cm
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O perigoso (série)
1992
Tinta de caneta permanente e sangue sobre papel
30,5 x 23 cm
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O perigoso (série)
1992
Tinta de caneta permanente e sangue sobre papel
30,5 x 23 cm
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O perigoso (série)
1992
Tinta de caneta permanente e sangue sobre papel
30,5 x 23 cm
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Embora o contexto sociopolítico brasileiro dos anos 1980 e 1990 em que Leonilson viveu não seja o foco de suas obras, muitos trabalhos trazem comentários sobre questões como preconceito, desigualdade social, destruição ambiental e corrupção na política. 

Em 1991, Leonilson passou a ilustrar semanalmente a coluna “Talk of Town”, da Folha de S. Paulo. Os 106 desenhos produzidos para o jornal até 1993 deram a oportunidade para o artista demonstrar seu posicionamento acerca de diversos assuntos. 

Debilitado a partir de 1992, Leonilson dedicou-se principalmente aos desenhos e bordados, que produziu até poucos dias antes de sua morte. A última exposição de Leonilson aconteceu na Capela do Morumbi. Para Lisette Lagnado, em Instalação sobre duas figuras “a linguagem demonstra ter transcendido a questão da aparência para se manifestar como uma confissão”. Leonilson não pôde ver a exposição. Faleceu no dia 28 de maio de 1993.

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Cheio, vazio
1992
Linha sobre voile e tecido de algodão listrado
54 x 49 cm
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As ruas da cidade
1988
Acrílica sobre lona
200 x 95 cm
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O desejo é um lago azul
1989
Tinta de caneta permanente e aquarela sobre papel
31,9 x 24 cm
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Reconhecimento internacional

Reconhecido internacionalmente, Leonilson foi objeto de inúmeras mostras individuais, sendo as mais recentes organizadas pelo MASP, São Paulo, Brasil (2024); Pinacoteca do Ceará, Fortaleza, Brasil (2023); Almeida & Dale, São Paulo, Brasil (2023); Museu Serralves, Porto, Portugal (2022); KW Institute for Contemporary Art, Berlim, Alemanha (2020); Malmö Konsthall, Suécia (2021); Americas Society, Nova York, EUA (2017); Pinacoteca de São Paulo, Brasil (2014). Entre as coletivas, destacam-se Como vai você, geração 80?, EAV Parque Lage, Rio de Janeiro, Brasil (1984); Histórias LGBTQIA+, MASP, São Paulo, Brasil (2024); três edições da Bienal de São Paulo, Brasil (1985, 1998, 2010); três edições do Panorama Atual da Arte Brasileira, São Paulo, Brasil (1980, 1989, 2003); 13ª Bienal de Paris, França (1985); Bienal de Istambul, Turquia (1997, 2011); e Bienal de Veneza, Itália (2007).

Obras de Leonilson integram o acervo de inúmeras coleções brasileiras e internacionais, entre elas: Centre Georges Pompidou, Paris, França; Tate Modern, Londres, Reino Unido; Museu Serralves, Porto, Portugal; Museo del Novecento, Milão, Itália; Museo Nacional de Bellas Artes, Buenos Aires, Argentina; MoMa, Nova York, EUA; Lenbachhaus, Munique, Alemanha; MAM Rio de Janeiro, Brasil; MAM São Paulo, Brasil; Instituto Moreira Salles, Rio de Janeiro, Brasil; Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo, Brasil; Pinacoteca do Ceará, Fortaleza, Brasil; Pinacoteca de São Paulo, Brasil; Museu d’Art Contemporani de Barcelona, Espanha; Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand, Brasil; The Art Institute of Chicago, Chicago, EUA, entre outras.

Leonilson: Drawn 1975–1993 — Malmö Kunsthall, Malmö, Suécia, 2021 — foto: Helene Toresdotter

Leonilson: Drawn 1975–1993 — Malmö Kunsthall, Malmö, Suécia, 2021 — foto: Helene Toresdotter

Leonilson: Drawn 1975–1993 — Serralves, Porto, Portugal, 2022 — foto: Filipe Braga

Leonilson: Drawn 1975–1993 — Serralves, Porto, Portugal, 2022 — foto: Filipe Braga

Leonilson: Drawn 1975–1993 — Serralves, Porto, Portugal, 2022 — foto: Filipe Braga

Leonilson: Drawn 1975–1993 — Serralves, Porto, Portugal, 2022 — foto: Filipe Braga

Corpo Político — Almeida & Dale, São Paulo, Brasil, 2023 — foto: Sergio Guerini

Corpo Político — Almeida & Dale, São Paulo, Brasil, 2023 — foto: Sergio Guerini

Todos os esforços foram feitos para localizar os detentores de direitos das obras reproduzidas, mas nem sempre isso foi possível. Corrigiremos prontamente quaisquer omissões, caso nos sejam comunicadas e comprovadas.