Carregando Resultados
Viewing Rooms
Rayana Rayo

Rayana Rayo

Visualizar
A noite tá que é um dia
2024
Óleo sobre tela
146 x 330 cm
Consulte
Consulte
WhatsApp E-mail

O universo pictórico de Rayana Rayo é habitado por seres fabulares de morfologia ligada à paisagem do Recife — onde cresceu e vive atualmente. Não apenas os elementos geográficos das praias, dos mangues e do mar informam sua prática, mas também a atmosfera, o frescor da brisa, o calor do sol e o cheiro da maresia. Do mesmo modo, os estados e memórias que cada um desses elementos evoca são constitutivos de suas composições. 

Assim, em suas criações, os mundos interior e exterior se diluem em um único fluido, no qual a artista navega — e nos convida — rumo a lembranças, projeções e desejos em fluxos que se movem de lado a lado, mergulham e emergem. 

Visualizar
Doce Mistério
2024
Óleo sobre tela
76.5 x 158 cm
Consulte
Consulte
WhatsApp E-mail

A produção de Rayana nasce de pulsões interiores atravessadas por experiências afetivas, desejos e inquietações que se desdobram em imagens. Sua prática não se limita a um exercício formal: coloca-se como espaço de elaboração subjetiva, em que cada gesto e escolha cromática se vinculam a estados de espírito e à vontade de impregnar a matéria de energia vital. A tela, para ela, não é mero suporte, mas objeto dotado de potência, carregado de intenções, memória e presença. 

Nunca é algo dado, eu sempre faço escolhas no momento e que tem a ver com o meu momento durante a pintura. Se eu estou triste, se eu estou feliz, se eu estou querendo trazer um problema muito sério, se eu estou querendo desejar algo e intenciono esse algo. [...] E tenho também uma vontade de trazer potência para aquela materialidade. Não é só uma pintura, é um objeto que eu empodero. Então, é um pouco de mim de uma maneira energética dentro da pintura.
Rayana Rayo, em conversa com Tiago Santana, Florencia Rodrigues Gilles e Catalina Bergues, Instituto Tomie Ohtake, São Paulo, Brasil, 2025
Visualizar
Campo de pouso
2023
Óleo sobre tela
266 x 157 cm
Consulte
Consulte
WhatsApp E-mail
Visualizar
Dia de tomar sol
2025
Óleo sobre tela
99 x 64 cm
Consulte
Consulte
WhatsApp E-mail

De suas superfícies emergem paisagens inventadas que lembram montanhas, arquipélagos, criaturas marinhas e seres híbridos. Essas imagens, ao mesmo tempo familiares e distantes, dão corpo a um universo próprio, um bioma pictórico onde coexistem elementos naturais, forças invisíveis e símbolos do inconsciente. Ar, terra e água se entrelaçam em composições que evocam um terreno íntimo, funcionando como um diário visual que se alimenta da vida cotidiana e a reinventa. 

Nesse percurso, o trabalho de Rayo revela-se também como um mergulho no inconsciente.  Círculos que sugerem cavidades ou esferas, assim como a água, são imagens persistentes na obra de Rayo e, no universo constrúido pela artista, esses simbolos adiquirem ressonâncias psicanalíticas. Os “buracos”, como chama a artista, se apresentam como vias de acesso o inconsciente, um espaço de mergulho, bem como referente da ausênica ou falta, ou onde, ainda, espaço onde decantam desejos e memórias. Nesse mesmo movimento, a imersão acontece nas águas, elemento de fluxo e transformação, associado ao retorno a estágios anteriores e a uma paisagem real e simbólica que marca sua trajetória. Uma dinâmica que se reflete em seu processo, no qual as composições emergem de espaços abissais até alcançar copas de árvores agitadas pelo vento nas partes altas das ilhas. 

Visualizar
Sem título
2024
Grafite sobre papel
24.5 x 21 cm
Consulte
Consulte
WhatsApp E-mail
Visualizar
Sem título
2024
Grafite sobre papel
24.5 x 21 cm
Consulte
Consulte
WhatsApp E-mail
Visualizar
Sem título
2024
Grafite sobre papel
24.5 x 21 cm
Consulte
Consulte
WhatsApp E-mail
A luz que revela o trabalho de Rayana resplandece no inconsciente como um farol na noite, imerso em um mar hipnótico. Desse mar psíquico, suas formas fitomorfas começam a tomar vida, representando sentimentos e emoções.
Cristiano Raimondi, trecho do texto da exposição Yo soy semilla, Travesía Cuatro, Guadalajara, México, 2025

Ao aproximar essas imagens, Rayo abre um campo de significações que vai do enigma da falta – aquilo que nunca se preenche totalmente – à possibilidade de recomposição subjetiva. O vazio, como falta constitutiva, encontra na água a promessa de movimento, de dissolução e de regeneração. Essa tensão, inscrita na superfície da tela, articula-se como metáfora do processo psíquico: mergulhar, emergir e reelaborar. 

Mais complexidade e ambiguidade surgem nessas imagens quando notamos que esses não se tratam, tampouco, de signos definitivos. Com a cintilância das cores na superfície, os elementos nas composições da artista são sempre mutáveis. 

Assim, do interior das cavidades, por vezes, emergem caules, troncos, corpos pulsantes, que revelam ainda outros buracos ou extensões que parecem buscar o encontro com outros seres ou voltam-se a si mesmas. Nesse sentido, ao criar organismos pulsantes, em pleno desabrochar, soprados pelo vento ou movidos pelo devir, as obras da artista adquirem um caráter sensual, não ligado, necessariamente, ao sexo, mas que apontam aos afetos e efeitos de olhar para si e de olhar para a paisagem — no que parece uma elaboração no sentido de desfazer esses limites. 

Visualizar
Dia de fazer água
2024
Óleo sobre tela
160.3 x 207.5 cm
Consulte
Consulte
WhatsApp E-mail
Visualizar
Desejo de mudança
2024
Óleo sobre tela
143.5 x 159 cm
Consulte
Consulte
WhatsApp E-mail
Visualizar
Se espalhando com o vento
2024
Óleo sobre tela
196.3 x 153 cm
Consulte
Consulte
WhatsApp E-mail
Visualizar
Denunciando bom fluxo de plantio e colheita
2025
Óleo sobre tela
109 x 69 cm
Consulte
Consulte
WhatsApp E-mail
Visualizar
Sombra e imagem
2024
Óleo sobre tela
92 x 75 cm
Consulte
Consulte
WhatsApp E-mail
Enquanto pinta, Rayo vai elaborando convivências entre personagens, lugares, acontecimentos e expandindo-os até que toquem seu modo de estar e de se reconhecer como artista, mulher e mãe no mundo. A coisa toda também funciona no sentido inverso, pintar, para Rayo, é um decantar/recriar a vida em capítulos densos de cor. Tempo, lugares e histórias autoficcionais que se passam nessas dimensões são circundados pelo sustento da vida, pelo cuidado com quem está por perto, pela cooperação e pela reciprocidade de criar e ser criada.
Galciani Neves, trecho do texto da exposição Nas restingas, onde sonha o coração, Galeria Marco Zero, Recife, Brasil

Nas pinturas, a paisagem deixa de ser pano de fundo para se tornar personagem. Rayo cria atmosferas oníricas em que montes, águas profundas e organismos vegetais assumem protagonismo. Nessas fabulações visuais, a lógica do real não se opõe ao imaginário: ambos se interpenetram. O simbólico e o cotidiano coexistem, permitindo que a artista conte histórias que se expandem para além da tela, em continuidade com sua própria vida. 

Visualizar
7 sóis
2025
Óleo sobre tela
154 x 133 cm
Consulte
Consulte
WhatsApp E-mail
Visualizar
Abertura para os 7 sonhos
2025
Óleo sobre tela
220 x 153.2 cm (86 1/2 x 60 1/2 in)
Consulte
Consulte
WhatsApp E-mail
Visualizar
Resolveu descer, o bicho de 7 cabeças
2025
Óleo sobre tela
Díptico, 147.5 x 78.3 cm (cada)
Consulte
Consulte
WhatsApp E-mail

Seus trabalhos podem ser entendidos também como autorretratos indiretos. Cada forma, cada variação de cor traduz estados emocionais que a atravessam. Obras que remetem a criaturas fantásticas ou a monstros de múltiplas cabeças, por exemplo, dão corpo a afetos como raiva, medo ou perplexidade, ao passo que outras revelam delicadezas e momentos de introspecção. É um processo de autoconhecimento em que pintar significa, ao mesmo tempo, se reconhecer e se transformar. 

Visualizar
Autorretrato - todos os demônios internos
2024
Óleo sobre tela
220 x 153.2 cm (86 1/2 x 60 1/2 in)
Consulte
Consulte
WhatsApp E-mail
Visualizar
O mar no meio
2025
Óleo sobre tela
Tríptico, 27.5 x 60 x 3 cm (cada)
Consulte
Consulte
WhatsApp E-mail
Visualizar
Autorretrato seiscentos e sessenta e seis
2025
Óleo sobre tela
42.5 x 49 cm
Consulte
Consulte
WhatsApp E-mail
A fabulação de Rayo não se dá na substituição da verdadeira realidade pelo ficcional impossível. A artista não se interessa por essa distinção. Rayana conta histórias em suas pinturas e desenhos. E faz isso em um continuum da vida. Ou vice-versa: a vida é como lhe parece, porque é a arte que a acompanha. O que poderíamos chamar de simbólico, imaginário, fantástico não se opõe ao que reduzimos como real, sensível, ao que nos invade cotidianamente. 
Galciani Neves, trecho do texto da exposição Nas restingas, onde sonha o coração, Galeria Marco Zero, Recife, Brasil
Visualizar
Suape
2024
Óleo sobre tela
83.5 x 158.3 cm
Consulte
Consulte
WhatsApp E-mail

Para Rayana, a prática artística e a vida se entrelaçam. O gesto de pintar se coloca como rito de passagem e registro de experiências: uma forma de marcar simbolicamente sua existência, os espaços em que habita, suas origens, as relações que tece e, ainda, como estes são afetados por uma materialidade geográfica, econômica e social. 

Assim, Rayo cria fabulações a partir do que a vida lhe oferece, expandindo acontecimentos, lembranças e afetos na pintura. Ao transformar a tela em território fértil para o imaginário, inventa modos de estar no mundo. Suas imagens não se limitam a representar cenas estritamente imaginárias ou estritamente reais; instauram campos nos quais o espectador é levado por fluxos de experiência e reelaboração similares aos realizados pela artista.