A seleção de obras deste viewing room destaca a produção de artistas internacionais que lidam com a memória e a passagem do tempo. Os trabalhos trazem em sua essência a rememoração, a criação de dispositivos que fixam momentos e remediam esquecimentos, bem como tentativas de materialização da própria passagem do tempo.
A memória é mobilizada por eles em aspectos que atravessam acontecimentos pessoais e políticos, mobilizando técnicas diversas que vão desde o registro íntimo do cotidiano aos mecanismos oficiais de memória.
Nas pinturas etéreas de Nino Kapanadze (1990, Tbilisi, Geórgia), caligrafia e imagem se misturam na busca pela fixação de momentos fugazes. O tom confessional e diáfano das experiências vividas também marca os íntimos bordados de Feliciano Centurión (1962, San Ignacio, Paraguai – 1996, Buenos Aires, Argentina).
Por sua vez, a materialidade ocupa espaço central nas práticas de Grada Kilomba (1968, Lisboa, Portugal), Michael Rakowitz (1973, Great Neck, EUA) e Carlos Garaicoa (1967, Havana, Cuba). Por meio de objetos e materiais carregados simbolicamente, Kilomba e Rakowitz recontam histórias do colonialismo e combatem apagamentos, enquanto Garaicoa faz conviver temporalidades fazendo-nos reaver com uma história de utopia e ruína.
Dos escombros arquitetônicos de Garaicoa, nos encontramos com as rochas e minerais que constituem a obra de Elena Damiani (1979, Lima, Peru). Em seu trabalho, o tempo geológico de extensão imensurável ganha matéria, nos convocando a um embate ontológico com a matéria que desloca a humanidade do centro da mensura do tempo.
As formas interiores — Almeida & Dale, São Paulo, 2025 — foto: Julia Thompson
As formas interiores — Almeida & Dale, São Paulo, 2025 — foto: Julia Thompson
As formas interiores — Almeida & Dale, São Paulo, 2025 — foto: Julia Thompson
Double Exposure — Almeida & Dale, São Paulo, 2025 — foto: Julia Thompson
Double Exposure — Almeida & Dale, São Paulo, 2025 — foto: Julia Thompson
Grada Kilomba, 18 Versos, 2022. Vista da instalação na Pace Gallery, Nova York. Cortesia do artista.
Por fim, as cores vibrantes das icônicas tintas Day-Glo da obra de Peter Halley (1953, Nova York, EUA) falam de um mundo interconectado que passa a se formar na década de 1980 e, cuja velocidade, isolamento, vibração e circuitos de informação tornam-se ainda mais proeminentes na atualidade. Assim, as pinturas do artista, que trazem prisões simbólicas ancoradas nas teorias sobre a sociedade do simulacro, apresentam-se como um farol que nos localiza nos tempos atuais.
The American Connection — Almeida & Dale, São Paulo, 2026 — foto: Julia Thompson
The American Connection — Almeida & Dale, São Paulo, 2026 — foto: Julia Thompson
The American Connection — Almeida & Dale, São Paulo, 2026 — foto: Julia Thompson
The American Connection — Almeida & Dale, São Paulo, 2026 — foto: Julia Thompson
The American Connection — Almeida & Dale, São Paulo, 2026 — foto: Julia Thompson