Ilê Funfun: Uma homenagem ao centenário de Rubem Valentim - Exposição | Almeida & Dale

Exposições

Ilê Funfun: Uma homenagem ao centenário de Rubem Valentim

Curadoria: Daniel Rangel

02.04 — 14.05.2022

Rubem Valentim em seu estúdio. Cortesia: Instituto Rubem Valentim.

Rubem Valentim começou sua trajetória nos anos 1940 como pintor autodidata, e participou dos movimentos de correntes modernas da arte baiana, ao lado de Mario Cravo Júnior, Carlos Bastos, Sante Scaldaferri, entre outros. Desde o começo dos anos 1950, iniciou uma pesquisa relacionada às questões litúrgicas das religiões de matrizes africanas, sobretudo sobre símbolos e ferramentas dos orixás, que se tornaram visualidades obrigatórias em sua produção. Nascido em Salvador, na Bahia, em 1922, o artista completaria 100 anos em novembro deste ano e a celebração começa agora com a exposição “Ilê Funfun: Uma homenagem ao centenário de Rubem Valentim” em cartaz na Almeida & Dale Galeria de Arte.

O título escolhido pelo curador Daniel Rangel faz referência a essa religiosidade. Ilê significa casa e terreiro, o templo sagrado de culto aos orixás, e Funfun, a cor branca, uma referência àqueles que se vestem de branco, sobretudo da família de Oxalufã, o Oxalá velho, e Oxaguiã, o Oxalá moço. “Em verdade, somos todos filhos de Oxalá, encarregado por Olódùmarè para criar todos os seres vivos do planeta, incluindo plantas, animais, homens e mulheres”, explica Rangel.

Pensada a partir de três núcleos: o “Templo de Oxalá”, que é um conjunto de obras com 20 esculturas e 10 relevos de Rubem Valentim, consideradas o ápice de seu trabalho, doadas ao MAM-BA em 1997, e restauradas pela Almeida & Dale em 2022; “Ateliê”, parte da exposição em que o processo criativo do artista é contemplado, com quadros que estavam sendo feitos quando ele morreu, em 1991, inacabados, e ferramentas que ele usava; e “Cronologia”, que traz sua história, a partir de recortes, pesquisas, documentos e arquivos pessoais, fotografias e cartazes. “O que é mais importante sobre Rubem Valentim está nesta exposição. Da religiosidade potente aos objetos que circundavam toda sua criação, apresentamos vida e obra deste grande artista”, diz Daniel.

O “Templo de Oxalá”, cuja cor branca é predominante, representando o panteão dos orixás saudando Obàtálá, foi apresentado pela primeira vez em 1977, na XIV Bienal Internacional de São Paulo, em uma sala especial dedicada ao artista. À época, Frederico de Moraes disse: “foi a primeira eclosão da espiritualidade dos afro-brasileiros (...) realizado no mais alto nível das conquistas plásticas da arte contemporânea internacional”. Daniel Rangel conta que “essa analogia de uma possível festa para Oxalá, na qual as esculturas são divindades vestidas de branco em louvor ao orixá funfun, é o ponto de partida da narrativa”.

Em “Ilê Funfun” está reunido o essencial da trajetória do artista: um potente conjunto artístico-sagrado e referências de seu universo particular, juntando ainda as coleções do Museu de Arte Moderna da Bahia, do Instituto Rubem Valentim, cuja sede está em São Paulo e do Museu de Arte de Brasília; locais que foram suas casas, espaços que foram seus ilês.

Daniel Rangel é também curador do MAM-BA, que, em comemoração ao centenário de Rubem Valentim, coloca em circulação o conjunto de obras que é uma referência fundamental para a história da arte brasileira, e ainda para o momento atual de grande visibilidade e necessária inserção de artistas pretos e pretas no circuito. Após sua exibição na galeria, em junho, a mostra seguirá para o Museu Nacional da República em Brasília e depois retornará ao MAM-BA, quando reinaugurará a sala especial de Rubem Valentim no museu. Por fim, integrando a comemoração internacional do centenário, em novembro, haverá uma mostra com a produção do artista em Roma, onde Rubem viveu de 1963 a 1966, no Palazzo Pamphili, endereço da Embaixada Brasileira em Roma.

Segunda a sexta-feira das 10h às 18h
Sábado das 11h às 16h
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