Sidney Amaral - Artista | Almeida & Dale

Sidney Amaral

São Paulo - São Paulo, 1973
São Paulo - São Paulo, 2017

Nascido na cidade de São Paulo no ano de 1973, Sidney Amaral licenciou-se em Artes Plásticas pela Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP) em 1998. Também estudou pintura acadêmica e fotografia no Museu Brasileiro da Escultura (MUBE), onde foi aluno de Ana Maria Tavares. Já participou de mostras na Bienal de Valência (2007), no Museu de Arte Moderna da Bahia, nos 30 anos do Itaú Cultural, além de outras coletivas e individuais no Museu Afro Brasil, MASP e Instituto Tomie Ohtake.

Entre suas primeiras produções, trabalha prioritariamente na criação de esculturas que representam objetos cotidianos forjados em materiais nobres como o mármore e o bronze, deslocados de seus contextos originais sendo ressignificados poeticamente ao oporem banalidade e delicadeza, simplicidade e nobreza, efemeridade e permanência. A série Balões em Suspensão (2009), por exemplo, cria tensões entre a leveza das figuras e o peso do material, entre o delicado polimento das superfícies dos balões e a grosseira corrente de motosserra que os sustenta. Amaral tem esculturas de sua autoria presentes em acervos de importantes instituições de artes do país, como o Museu Afro Brasil. Apesar do reconhecimento alcançado por sua produção tridimensional, o universo temático de seu trabalho pictórico se distancia quase que diametralmente desta leveza poética ao mergulhar na realidade dura e crua, tratando das questões sociais, históricas e políticas que orbitam o lugar do negro na sociedade brasileira. São desenhos, acrílicas e aquarelas de caráter realista nas quais revela extremo domínio técnico na utilização de composições cromáticas, linhas, volume e iluminação.

A autorrepresentação é uma constante no trabalho de Sidney Amaral. Ao tomar-se como tema ou personagem de muitas de suas pinturas e aquarelas, não atesta apenas sua vivência como indivíduo, mas traz à tona sua condição de homem negro, pai, marido e professor de escola pública, tratando assim das privações e angústias de um grupo historicamente marginalizado e alvo de preconceito e opressão. “Vejo minha obra sempre como um espelho que ao ser olhado por muito tempo nos lembra dessas metamorfoses do mundo, do meu querer estar no mundo e encontrar este meu lugar. Sou um ser que estou deslocado todo o tempo”, diz Amaral. Ao escolher colocar sua própria imagem – a imagem de seu corpo – como o campo no qual se tensionam e se atritam estas questões, o artista descortina o peso que a história – e aquilo que é historicamente construído – exerce sobre os indivíduos no dia a dia. Ao falar sobre si mesmo, Sidney Amaral reflete sobre o lugar social dos negros e afrodescendentes na sociedade brasileira contemporânea.

O diálogo de sua obra com a história do Brasil e as construções da imagem do negro nesse contexto se evidencia, inclusive, na escolha da litografia e da aquarela como suas técnicas principais, assim como pelo realismo pictórico de seus traços. Estas características remetem às crônicas visuais dos registros sobre os escravos feitos por artistas viajantes como Eckhout (1610 – 1665) e Debret (1768 – 1848) no Brasil. Amaral atualiza essa iconografia, ao colocar-se, como um negro, no lugar de observador e observado, agora dando voz ao sujeito oprimido. A referência a estes registros históricos aparece por exemplo na aquarela Gargalheira, Quem Falará por Nós? (2014), na qual este instrumento de tortura do período escravocrata se funde e se adapta à opressão social midiatizada do presente. A imagem, forte e contundente, fala ao mesmo tempo sobre a invisibilidade e a superexposição do negro que, mesmo cercado e preso violentamente aos microfones, assume um silêncio altivo de negação ao sistema. Sua obra lembra e denuncia como são recentes e ainda terrivelmente opressores os desdobramentos do período escravocrata brasileiro e as feridas que este cruel regime abriu na constituição das identidades dos negros e negras no Brasil.

Sidney Amaral faleceu em maio de 2017, aos 44 anos. Apesar da força e da notoriedade de seu trabalho, nunca conseguiu se sustentar financeiramente apenas com sua produção. Era professor de educação artística na rede pública. “Ser artista acho que já é difícil, ser artista negro no Brasil é ainda um pouco mais complicado”, declarou o artista em entrevista ao site Nobrasil. Sua obra ainda resiste, urgindo pelo pensar sobre o Brasil e suas mazelas. Numa cultura na qual, num tempo histórico recente, o homem negro era representado apenas como força de trabalho, submetido e humilhado na condição de escravo e, posteriormente, de maneira folclórica ou pejorativa, uma produção como a Sidney do Amaral, que retrata os negros enquanto indivíduos mobilizados contra essa determinação opressora, é fundamental para a compreensão e a revisão de nossa história.

Complacência, 2014

resina e pó de mármore
25 x 13 x 16 cm

Sem título, 2015

óleo sobre papel
107 x 79 cm

Sumidouro, 2014

bronze, ouro, mármore e cerâmica
83,5 x 49,2 x 83,5 cm

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